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quarta-feira, 17 de julho de 2019

Censura? Danilo Gentili diz que foi demitido do SBT por criticar Eduardo Bolsonaro

Apresentador, que não deixou claro se a postagem é séria ou uma piada, disse que assinaria sua demissão no RH da emissora por ter criticado a indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada do Brasil nos EUA; "Foi bom enquanto durou"
DITADURA? Danilo Gentili diz que foi demitido do SBT por criticar Eduardo Bolsonaro

Da revista Fórum – O apresentador Danilo Gentili, um dos principais apoiadores de Jair Bolsonaro na televisão, informou na noite desta terça-feira (16) que estava assinando sua demissão do SBT, emissora onde comanda o programa “The Noite”. Muitos, pelo fato de Gentili envolver piada em quase tudo o que diz ou escreve, não acreditaram na declaração. O humorista, por sua vez, não deixou claro se falava sério ou se o post se tratava de mais uma brincadeira.
De acordo com o apresentador, o motivo de sua demissão seria o fato de ter criticado a indicação de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, para a embaixada do Brasil nos EUA.
“Foi bom enquanto durou, pessoal. Estou passando agora no RH do SBT para assinar minha demissão. O motivo? Postei #SenadoVetaEduardo Muito obrigado à todos pela audiência esses anos todos. Tô indo entregar currículo pra fritar hamburguer”, escreveu Gentili.
DO 247

domingo, 30 de junho de 2019

Imprensa Internacional denuncia como a Globo Manipula informações sobre a Lava Jato.

Imprensa Internacional denuncia como a Globo Golpista Manipula informações sobre a Lava Jato.

Imprensa Internacional denuncia como a Globo manipula a informação quanto o real envolvimento do preso político Lula e da Presidenta,que sofreu Golpe de Estado, Dilma no esquema de distribuição de propinas da JBS.

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No Brasil, ocorreu uma manobra do grupo Globo. O Globo é o Clarin lá. E o que fez?
Quando Temer foi denunciado pelo tal Batista na questão das propinas, os noticiários da Globo aproveitaram para dizer que Batista também tinha denúncias contra Lula e Dilma.
Que eles tinham contas no exterior, onde teria sido depositado dinheiro de propina para Lula e Dilma.
Nas primeiras 24 horas da notícia, logicamente, foi a capa dos jornais Argentinos Clarin e La Nación que tem o mesmo critério de jornalismo lixo, jornalismo de guerra, como são chamados.
Guerra contra os mais vulneráveis, contra o povo, contra tudo que possa representar os que defendem o povo.
Isso nunca foi desmentido, nem pelo Clarin, nem pelo La Nación.
As capas seguem lá dizendo que Lula e Dilma estavam envolvidos.
A Globo corrigiu muito moderadamente, como verão agora,a informação que havia dado.
Vejamos a anúncio da Globo sobre Lula e Dilma.
William Bonner no Jornal Nacional:
Joesley Batista contou detalhes de duas contas correntes no exterior em nome dos Presidente Lula e Dilma. O Total dos depósitos segundo Joesley chegou a 150.000.000 de dólares em 2014. Seria uma contrapartida da JBS por facilidadades no BNDSe fundos de pensão.

Vocês estão vendo o que diz esse homem. A denúncia que ele está fazendo. 150.000.000 milhões de dólares. A Globo está dizendo aos brasileiros que assistem majoritariamente esse noticiário, que é o mais importante do Brasil.
Quando as pessoas escutam isso como vão reagir? Senão envenenando-se, enlouquecendo. Como aconteceu na adulteração da democracia na Argentina.
O que eles estão fazendo é adulterar a democracia. Impedir Eleições Diretas que o povo está pedindo. Nas quais Lula seria naturalmente o favorito.
Confundir a opinião pública.
Vejamos a Globo que por uma única vez retificou a notícia, muito rapidamente, usando um personagem que não é o principal do telejornal, desse modo:
Uma correção a respeito de uma imprecisão que cometemos aqui no Jornal Nacional, ontem dissemos que Joesley Batista tinha contado na delação premiada detalhes de duas contas correntes no exterior em nome dos Ex-Presidentes Lula e Dilma, na verdade, Joesley Batista disse no depoimento que mantinha no nome dele duas contas com dinheiro destinado a Lula e Dilma, a ser usado em campanhas eleitorais. Segundo a assessoria do Instituto Lula o Ex-Presidente já teve seu sigilo fiscal quebrado e nenhuma conta clandestina foi encontrada em seu nome, segundo a assessoria de Lula porque nunca existiu uma conta assim.

É sabido, como ocorreu aqui com algumas pessoas da política muitas vezes denunciadas.
Não há cotas no exterior. Nunca aparece absolutamente nada contra Lula. Tudo é persistentemente uma grande invenção.
Um modo de ir contra um homem que pode representar os mais vulneráveis. E não à elite, que faz parte a rede Globo. Não aos mais ricos, não aos que tem tudo. Não aos que roubam tudo através do manejo da política.
E assim sempre, até conseguir que as pessoas se envenenem o suficiente para: No Brasil não quererem eleições diretas ou não se animarem pedi-las, ainda que o povo vá seguir pedindo…
A mentira dando resultados, ainda que seja por algumas horas, gerando a idéia de corrupção que é o que serve às elites dominantes para seguirem ficando com tudo.
Fonte: meublogdepolitica

sábado, 27 de abril de 2019

Globo e sua cópia Record ignoram a primeira entrevista de Lula na prisão, diz colunista do UOL

Logotipos da Globo e da Record. Foto: DivulgaçãoA Coluna de Maurício Stycer no UOL diz que as duas maiores emissoras de TV ignoraram a entrevista histórica do ex-presidente. “Autorizados pelo STF, a Folha e o El País realizaram na tarde desta sexta-feira (26) a primeira entrevista com o ex-presidente Lula desde que ele foi preso, em 7 de abril de 2018. A entrevista durou quase duas horas e teve enorme repercussão na mídia”.
O jornalista dá mais informações: “À noite, os principais telejornais do SBT e da Band noticiaram e repercutiram a conversa de Lula com os jornalistas Monica Bergamo e Florestan Fernandes Junior. Na RedeTV!, Boris Casoy criticou Lula por usar a entrevista ‘como palanque para atacar adversários'”.
“Já os principais telejornais da Globo e da Record ignoraram o assunto. Curiosamente, Lula mencionou o ‘Jornal Nacional’ numa resposta, ao dizer: ‘Eu penso que haverá um dia em que as pessoas que irão me julgar estarão preocupadas com os autos do processo, estarão preocupadas com as provas contidas no processo, e não com a manchete do Jornal Nacional e não com a capa da revista e não com as mentiras do fake news'”, completa o colunista.
DO DCM
VEJAM a entrevista

sexta-feira, 8 de março de 2019

GloboLixo: Em Editorial a Globo manda Bolsonaro trabalhar, sair do Twitter e acabar com as aposentadorias e outros direitos do povo



Protagonista de dois golpes sequenciais, que foram a deposição ilegal de Dilma Rousseff e a prisão sem provas de Lula, a Globo parece desapontada com Jair Bolsonaro – que foi a consequência da destruição da política. Em editorial publicado nesta sexta, a família Marinho exige que ele saia das redes sociais e comece a trabalhar, especialmente na reforma da Previdência. A Globo também cobra que Bolsonaro não faça nenhuma concessão, como a redução da idade mínima das mulheres. Pelo jeito, deu ruim

8 DE MARÇO DE 2019

A Globo não está feliz com Jair Bolsonaro e começa a desconfiar que ele não será capaz de aprovar a sua tão sonhada reforma da Previdência. É o que aponta editorial publicado nesta sexta-feira. "O desastrado tuíte do presidente Bolsonaro, com cenas pornográficas do carnaval de rua, recebeu o merecido repúdio e deflagrou incontáveis análises sobre quais seriam as motivações do presidente", diz o texto. "Porém, o que fica de tudo isso — além de fundos arranhões na imagem presidencial — é que Bolsonaro precisa descer de vez do palanque, arregaçar as mangas e trabalhar com afinco para executar o que prometeu na campanha."

No texto, a família Marinho exige que ele saia das redes sociais e comece a trabalhar, especialmente na reforma da Previdência. A Globo também cobra que Bolsonaro não faça nenhuma concessão, como a redução da idade mínima das mulheres. "A primeira tarefa da sua agenda, a reforma da Previdência, já é capaz de tomar todo o seu tempo. Depois de escorregar em um ou outro aceno de recuo — como admitir rebaixar o limite de idade na aposentadoria das mulheres, de 62 anos para 60, em prejuízo da redução dos gastos públicos —, o presidente tem de se dedicar ao convencimento de políticos de que não há alternativa para se começar a desanuviar os horizontes do crescimento", aponta  o editorial.

"Não será perdendo tempo disparando tuítes, para alegrar a plateia com agressão a adversários, que ele conseguirá que o governo avance na desburocratização", prossegue o texto. "Da abertura comercial do país, das privatizações ao combate à corrupção e à insegurança pública, muita coisa passa por importantes alterações em leis, as quais, mais uma vez, requerem trabalho de Bolsonaro junto ao Legislativo. Ser presidente exige postura e também trabalho duro."

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

DCM: GLOBO VAI POUPAR BOLSONARO EM NOME DA REFORMA DA PREVIDÊNCIA

"Quem esperava pela continuidade dos ataques da Globo a Bolsonaro ficou frustrado ao ver o Jornal Nacional desta quarta-feira", diz o jornalista Joaquim de Carvalho, no Diario do Centro do Mundo; "Quem viu a Globo ficou sem saber que a conta dessa reforma será paga pelos mais pobres"
William Bonner e Renata Vasconcelos no JN de 20/02/2019: a reforma é deles


William Bonner e Renata Vasconcelos no JN de 20/02/2019: a reforma é deles

247 - "Quem esperava pela continuidade dos ataques da Globo a Bolsonaro ficou frustrado ao ver o Jornal Nacional desta quarta-feira", diz o jornalista Joaquim de Carvalho, no Diario do Centro do Mundo. "O noticiário da Globo dedicou a maior parte do tempo à cobertura da Reforma da Previdência, com um viés positivo. E aí é que Bolsonaro e Globo dão as mãos: ambos estão comprometidos com a mudança radical nos sistemas de aposentadoria. Por isso, quem viu a Globo ficou sem saber que a conta dessa reforma será paga pelos mais pobres", acrescentou.
O jornalista alerta para "interesses que unem Globo e Bolsonaro neste momento". "Nem tudo, portanto, é guerra nesta relação conflituosa. De fato, não se gostam. Mas vão se tolerar, e a Globo se manterá neste morde e assopra pelo menos até que os trabalhadores sejam tratados como, historicamente, ela sempre quis: sem direitos", afirma. "Bolsonaro não será alvo de campanha para cair até que a tal Nova Previdência esteja vigorando e o trabalhador comece a pagar a conta".
Leia a íntegra no DCM
Boicote os Anunciantes desse Lixo CLIQUE AQUI

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

VÍDEO – Adaptado aos novos tempos, Bonner encerra JN batendo continência

VÍDEO – Adaptado aos novos tempos, Bonner encerra JN batendo continênciaNo mesmo dia de uma posse que teve truculência com jornalistas, William Bonner fez um discurso meloso sobre a imprensa no Jornal Nacional da Globo. E, ao final, fez um gesto que muitos interpretaram como uma coninência para o presidente Jair Bolsonaro.
O pessoal no Twitter não perdoou e postou memes de Bonner de farda.


Do DCM

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

O viaduto que cedeu é o grande legado de Doria para SP — que nunca lhe será cobrado pela mídia.E se fosse Haddad?





Joao Doria e Bruno COvas O viaduto que cedeu é o grande legado de Doria para SP — que nunca lhe será cobrado pela mídia.E se fosse Haddad?
“Cidade linda”. Pois é

No táxi para casa, vindo do aeroporto de Guarulhos, o motorista comenta sobre o novo inferno em sua vida.
“Um viaduto quase caiu na Marginal Pinheiros. Finalmente o Doria deixou uma obra em São Paulo”, contou.
Em dois anos, o “gestor” legou aos paulistanos, no mundo virtual, milhares de horas de factoides em redes sociais.
No real, fantasias variadas e um viaduto quebrado ao meio, fruto, entre outras coisas, de incompetência e descaso.
Cabe mais uma vez a pergunta retórica: e se fosse o Haddad?
Certamente seria pau todo dia nos jornais.
Como não é, segue uma cobertura mandrake sobre o que Bruno Covas, o playboy viajante que substituiu “João Trabalhador” (deus do céu, o que foi essa marquetolagem?), está fazendo “para tentar minimizar o impacto no já carregado trânsito”, segundo a Folha.
A questão é o que Bruno e o antecessor não fizeram.
O gasto deste ano para a manutenção e recuperação de pontes e viadutos representa 5,37% da previsão de investimento.
Foram R$ 2,4 milhões dos R$ 44,7 milhões previstos no Orçamento.
A gestão Doria, por sua vez, liquidou R$ 1,5 milhão de um total de R$ 5 milhões previstos no Orçamento no início de 2017.
Cinco carros que passavam pelo local na hora do incidente, na madrugada de quinta, caíram de uma altura de quase 2 metros.
Foi pura sorte ter ocorrido nesse horário e não ter morrido ninguém.
O azar é de quem vive em São Paulo, entregue a picaretas e aventureiros protegidos pela mídia.
Um deles, governador eleito, ainda sairá para presidente da República, tendo para mostrar um saco vazio de maldades cometidas contra seus eleitores.



O viaduto na Marginal Pinheiros que cedeu
O viaduto na Marginal Pinheiros que cedeu

DO DCM

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Esquecido pelo público, Celso Portiolli defende propaganda com slogan da ditadura e discute com internautas para agradar ao patrão

As vinhetas de tom nacionalista lançadas pelo SBT nesta semana que remetem à época da Ditadura continuam repercutindo. Nesta quinta-feira (8), o apresentador Celso Portiolli discutiu com internautas e defendeu o uso das propagandas em sua conta pessoal no Twitter. As informações são site Notícias da TV.
Esqueciddo pelo público, Celso Portiolli defende propaganda com slogan da ditadura e discute com internautas


Entre as vinhetas exibidas durante a programação do SBT, a que continua a mensagem “Brasil, ame-o ou deixe-o”, foi a que espantou os espectadores por remeter ao período da ditadura militar no país. Portiolli defendeu o comercial e usou emojis para ironizar o fato de deputados do PT terem acusado a emissora de “disseminar o ódio” com as vinhetas.
Portiolli ainda declarou que “para quem não ama o Brasil, a Venezuela fica logo ali”. Enquanto alguns seguidores o apoiavam, outros criticavam suas mensagens. Um deles, por exemplo, disse que era uma “triste colocação de alguém que admirava”, mas o apresentador disse que o fã realmente nunca gostou dele.
(…) DO DCM
Celso Portioli substituiu o apresentador Augusto Liberato(conhecido como Gugu) quando este foi contratado pela Record e o Domingo legal e Sabadão nunca mais teve a mesma notoriedade de quando ganhava da Globo toda semana.
A emissora vem sempre apoiando o governo em troca de verbas publicitarias 
SBT verbas publicitarias do governo com dinheiro publico


terça-feira, 6 de novembro de 2018

De olho nas verbas publicitárias do governo Bolsonaro, SBT resgata slogan da ditadura: 'Brasil, ame-o ou deixe-o'

Silvio Santos Sabujo da Ditadura em seu programa
Silvio Santos Sabujo da Ditadura em seu programa
Do DCM
Silvio Santos nunca poupou esforços para morder verbas publicitárias dos governos federais, fossem quais fossem.
Com Jair Bolsonaro, ele pode recuperar seus anos de bajulação à ditadura, quando inventou uma atração delinquente chamada “Semana do Presidente”.
A primeira estrela dessa excrescência era João Figueiredo, general que lhe deu a concessão de TV.
Silvio Santos e Figueiredo, que lhe deu a concessão
Silvio Santos e Figueiredo, que lhe deu a concessão
Ficou no ar até a presidência de FHC, quando tornou-se constrangedora demais até para o padrão Silvio.
Os anos de constrangimento generalizado estão de volta, Silvio é um mestre do assunto e não ia deixar passar esse cavalo selado.
A emissora desenterrou slogans do regime militar em vinhetas com pontos turísticos manjados do país e locução de Carlos Roberto, a voz do dono.
Uma delas termina com o ufanista “Brasil: ame-o ou deixe-o” — chupação de “America, love it or leave it”, usado durante a guerra do Vietnã.
Outra conta com o hino “Eu te amo, meu Brasil”, da dupla Dom & Ravel, nome artístico dos irmãos Eustáquio e Eduardo Gomes de Faria, já falecidos.
Lançada no início dos anos 70, a música servia de propaganda e funcionava como trilha sonora funesta do período mais pesado da repressão.
Silvio não esconde que está se sentindo em casa.
A mulher de Bolsonaro, Michelle, foi convidada para participar de um troço chamado Teleton no fim de semana. Eduardo Bolsonaro estava no “Poder em Foco” de domingo, dia 4.
Bolsonaro afirmou que quer o Brasil de 50 anos atrás.
Isso é música para Silvio, que, como um marqueteiro de agência de fundo de quintal, correu para agradar o chefe.
A grana vai pingar, patrão. Ma-oeeee…



Confira as vinhetas controversas e as reações de alguns internautas:









Folha e Globo foram covardes com Bolsonaro e isso é uma grave ameaça à democracia

Folha e Globo foram covardes com Bolsonaro e isso é uma grave ameaça à democraciaAlém de ameaças aos principais grupos de comunicação do país, Bolsonaro e seus principais aliados também estão ameaçando movimentos sociais, adversários políticos, professores de universidades, artistas e jornalistas, entre outros
Bolsonaro está conseguindo vencer o braço de ferro com a imprensa tradicional nesses primeiros dias após a sua vitória. A capa de hoje da Folha de S.Paulo é o recibo mais claro e evidente dessa postura covarde. Mas há outros indícios.
Ontem Bolsonaro foi ao Jornal Nacional para dizer não só à Folha como também para a Globo que os veículos que viessem a fazer jornalismo crítico ao seu governo não irão ter verba publicitária e ainda sentirão o peso da lei.
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Se fossem Dilma e Lula a dizer isso, hoje este seria o assunto de todos as rádios, jornais, TVs e geraria uma quantidade imensa de notas de associações de imprensa nacionais e internacionais.
Ontem, Bonner sequer teve a coragem de dizer a Bolsonaro que essa sua reação era anti-democrática e ilegal. Que o governo federal tem obrigação de adotar a mídia técnica na distribuição de recursos.
Bonner se limitou apenas a fazer considerações positivas acerca da Folha, mas quase que pedindo desculpas a Bolsonaro por não concordar com ele.
Aquele editor do JN de garras afiadas e que não deixava os candidatos a presidente sequer responderem questões se escondeu debaixo da mesa. Sobrou um guaguejante apresentador que rapidamente entregou a palavra a Renata Vasconcellos, quase que pedindo socorro para que ela o salvasse da saia-justa.
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Bolsonaro além de ameaçar a Folha disse que o jornal fez fake news no caso da sua funcionária da Câmara que trabalhava vendendo açaí enquanto deveria estar no serviço público. Nada de Bonner falar.
Mas o mais bizarro foi a Folha dar uma nota dizendo que Bolsonaro se enganou em relação ao episódio. Bolsonaro não se enganou pipoca nenhuma. Ele mentiu de forma deliberada. Mas a Folha preferiu ficar pianinho.
Hoje quem esperava um editorial duro do veículo na sua capa por ter sido ameaçado pelo futuro presidente, se decepcionou de novo. A manchete principal ficou para a previdência. E a nota sobre o ataque mereceu pequeno destaque.
A capitulação da Globo e da Folha são sinais claros de que há medo dessas empresas do que possa vir a acontecer com suas empresas com Bolsonaro no poder.
Acontece que além dessas ameaças aos principais grupos de comunicação do país, Bolsonaro e seus principais aliados também estão ameaçando movimentos sociais, adversários políticos, professores de universidades, artistas, jornalistas etc.
Se os grandes se calam e se acovardam os pequenos fazem o quê? Globo e Folha podem ter com suas reações tímidas aberto o caminho para a ditadura de Bolsonaro.
Ainda é cedo para cravar isso. Mas os sinais e a reação de ontem e hoje são absolutamente preocupantes, porque imperou a covardia e o bundamolismo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Globo se submete à censura de Bolsonaro e não repercute denúncia da Folha sobre o Caixa 2 de Bolsonaro

Da revista forum
O ambiente está tenso na redação da Globo, na GloboNews e nos sites. A esperança é que a chamada "Fake News" no espelho do JN de hoje signifique mais do que uma matéria genérica sobre o tema
Globo se submete à censura de Bolsonaro e não repercute denúncia da Folha sobre o Caixa 2 de Bolsonaro

O assunto se tornou o mais comentado nos trending topics do Twitter, foi abordado em quase todos os blogues e sites do Brasil, levou o candidato Bolsonaro a se explicar nas redes, mas foi completamente ignorado pelos jornais da TV Globo, pela GloboNews e pelos portais G1 e o Globo.com.
Mas por que a Globo decidiu silenciar a respeito da mais completa denúncia de manipulação e corrupção desta campanha eleitoral que envolve diretamente um candidato a presidência da República e ao menos 156 empresários que teriam financiado de forma ilegal não só o candidato a presidente do PSL, como também candidatos aos governos de vários estados, como os de Minas Gerais e do Rio de Janeiro?

O blogue conversou com duas fontes que trabalham em veículos da família Marinho e descobriu que neste momento há um VT com o título “fake news” que entrou no espelho do Jornal Nacional. Mas que não há nenhuma menção a Bolsonaro nesta matéria.
Ou seja, o tema pode vir a ser tratado de forma ampla e citar a denúncia de hoje da Folha, mas dificilmente será uma reportagem dedicada a mostrar que as ações de Bolsonaro além de criminosas modificaram a correlação de forças entre os candidatos no primeiro turno. Alguns deles. inclusive, podem ter se elegido pelas fake news pagas com dinheiro de caixa 2 e outros podem ter perdido por isso.
A Globo não se decidiu por esse caminho de bom mocismo com Bolsonaro hoje. A decisão se deu na semana passada. Durante alguns dias ela permitiu reportagens como essa e como essa aqui. E a orientação era a de que elas deveriam “puxar pelas polêmicas”. E que não havia restrição a “bater em Bolsonaro”.

Depois disso, veio uma contra-ordem com o seguinte teor: a linha política seria dada pelo Jornal Nacional. E nada de polêmico sobre o candidato deveria ser noticiado antes de sair no JN.
Aos diretores desses veículos, a explicação dada foi a de que as pesquisas feitas pela Globo já apontavam a eleição como definida e que por este motivo não era hora de atacar Bolsonaro que já escolhera a Record como sua aliada principal.
Em resumo, a Globo teria capitulado por medo. A auto-censura teria sido o caminho de menor risco. Pode ser uma explicação falsa. A direção pode ter feito um acordo com as Forças Armadas e com a coordenação da campanha de Bolsonaro, mas o fato é que hoje a ordem foi cumprida a risca. Nada foi dito até às 17h15 quando esta matéria foi publicada.
O ambiente não está tranquilo nem na redação da Globo e muito menos na GloboNews e nos sites. A esperança é que a chamada “Fake News” no espelho do JN de hoje signifique mais do que uma matéria genérica sobre o tema, mas que seja um código para a Globo se livrar das amarras ou do acordo que fez com Bolsonaro.
Porque o constrangimento dos jornalistas que até agora não puderam sequer tratar do caso é razoável. Um deles disse que o ar está “irrespirável no Globo.com e no G1”. E que na Globo News alguns estão considerando seriamente deixar a emissora caso Bolsonaro venha a vencer a eleição. “Se antes de ele ganhar as coisas já estão assim, imagina depois”, ponderou.

domingo, 14 de outubro de 2018

Noblat denuncia que Band e Record dão ordens para atacar Haddad e poupar outros candidatos

 Noblat denuncia que Band e Record dão ordens para atacar Haddad e poupar outros candidatos

Ricardo Noblat, colunista do O Globo e da revista Veja, divulgou em seu Twitter que as emissoras Band e Record estão orientando as equipes de jornalismo à produzirem mais matérias contra a candidatura de Fernando Haddad (PT).
O jornalista também relata que o pedido se estende aos demais políticos que declararem apoio ao candidato do PT. As equipes passaram a trabalhar em clima de desolação e revolta.
"Ordens dos mais altos escalões das TVs Record e Bandeirantes foram dadas para que o jornalismo das duas emissoras produzam reportagens contra Fernando Haddad, candidato do PT à presidência da República, e demais políticos de outros partidos que se aliem a ele."

Do Catraca Livre

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Em entrevista ao EL Pais, o ex-jogador Juninho Pernambucano criticou a Globo e dispara “Sofri censura ao vivo na TV. Nenhum jornalista me defendeu”

Juninho Pernambuco saiu da Globo

Juninho Pernambucano, quando ainda era comentarista do grupo Globo. DIVULGAÇÃO


Na primeira entrevista após deixar a Globo, o ex-jogador reitera críticas à imprensa e conta como o futebol ajudou a despertar sua consciência política.


Heptacampeão francês pelo Lyon e ídolo do Vasco, o ex-meia Juninho Pernambucano acaba de se mudar para os Estados Unidos. Estabelecido em Los Angeles, tomou a decisão de respirar novos ares pela família. Aos 43 anos, está prestes a se tornar avô e vai acompanhar de perto as últimas semanas de gravidez da filha mais velha, Giovanna. Ele explica que a saída do Brasil não foi motivada pelo rompimento de contrato com a Rede Globo, onde era comentarista de futebol desde 2014. Em entrevista ao EL PAÍS, Juninho reclama ter sofrido censura na emissora por questionar o trabalho da imprensa, especialmente o dos setoristas. “Até o episódio da minha saída, seria injusto dizer que eu fui impedido de falar”, afirma. No fim de abril, durante o programa em que opinou que os jornalistas que cobrem os clubes “são muito piores hoje em dia”, a direção de jornalismo do SporTV, canal fechado de esportes da Globo, emitiu uma nota oficial condenando os comentários do ex-jogador.

Além da reprimenda lida ao vivo, que o levou a pedir demissão, ele conta que já havia acumulado desgastes com companheiros de emissora (leia a resposta da TV no fim da entrevista). “Discussões pesadas, de apontar o dedo na cara e tudo mais. Só não teve vias de fato.” Apesar de ostentar um diploma em gestão pela UEFA, Juninho não manifesta interesse em atuar nos bastidores do futebol. Por enquanto, seu único plano é passar uma temporada aprimorando o inglês e, ainda que à distância, se manter ativo no debate político nacional.

Pergunta. O futebol está em seu horizonte nessa nova etapa no exterior?
Resposta. Depois que saí da Globo, eu fiquei pensando no que fazer. Ainda não achei um caminho. Não me sinto pronto nem com vontade de voltar ao futebol.

P. Nem como dirigente?
R. Recebi uma proposta do Lyon, mas preferi esperar. Tenho capacidade para ser dirigente, só que, pela bagunça total no Brasil e pelo que conheço da imprensa, não faria isso agora. Joguei futebol por 20 anos. Sempre tive na cabeça que não poderia precisar de ninguém depois que eu parasse. Para não correr o risco de vender minha alma e meu caráter, só gastei 30% do que ganhei como jogador. Me preparei para isso. Investi 70% dos meus rendimentos.

P. Nem como comentarista?
R. De jeito nenhum. Perdi a confiança na imprensa.
P. Por causa do episódio com a Globo?
R. Tá gravando? Pode gravar, porque eu falo pra caramba. O que aconteceu foi o seguinte… Quando fui pra imprensa, me assustei com o desconhecimento generalizado. O futebol mudou muito. Chegaram a ciência, a nutrição, a psicologia, a análise de desempenho… Hoje o jogador corre muito mais, tem mais músculos, reage mais rápido. O espaço no campo ficou reduzido. Só que a imprensa ainda não entendeu essa evolução. Ela se agarra ao saudosismo: “Ah, mas no tempo de fulano era assim”. Não são todos, mas a maioria dos jornalistas desconhece o jogo.

“A imprensa oprime o jogador. Quer que ele seja visto apenas como um marginal, um ignorante”

P. Desconhece em que sentido?
R. Grande parte da imprensa joga contra a evolução do futebol. Eles [jornalistas] precisam da gente, os ex-jogadores, para complementar o que não conseguem enxergar. Fui censurado na Globo por denunciar que tinha setorista vendido, que se envolve com sacanagem. É o setorista que pauta o noticiário, porque cobre de perto os jogos e treinamentos. Quando ele se prostitui, fode o ambiente no clube. É preciso combater o que tá errado lá embaixo na cadeia de produção do jornalismo para pautar coisas mais sérias. E aí, em pleno ano de 2018, sofri censura ao vivo na TV. Nenhum jornalista me defendeu. Pelo contrário, ainda fui humilhado pelo Milton Neves [apresentador da Band], que deu uma tuitada me ridicularizando. Antes, já tinha recebido ameaças de torcedores. Se eu fui censurado e ameaçado, significa que toda a imprensa também foi, meu amigo. E ninguém compreendeu isso, talvez por ignorância ou medo de perder o emprego.
P. Antes da crítica aos setoristas, você foi impedido de falar na emissora?
R. No fim de 2013, quando já tinha planos de parar de jogar, me ligaram da Globo perguntando se eu estava disposto a comentar a Copa de 2014. Respondi que me interessava. Mas, se ainda estivesse jogando futebol, não faria. Aí parei de jogar e assinei contrato de um mês com eles. Renovei por mais dois anos. Depois, mais três. Meu contrato iria até o fim do ano que vem. Durante esse período até o episódio da minha saída, seria injusto dizer que eu fui impedido de falar. Mas briguei com os três principais narradores e o principal repórter da casa. Briga grande, discussão pesada, de apontar o dedo na cara e tudo mais em reuniões. Só não teve vias de fato. Queria dar minha opinião e não aceitavam. Diziam que eu falava muito, que interrompia demais. Balançavam a cabeça achando ruim se eu me alongava no comentário durante a transmissão. Sofria pressão por querer dizer o que penso. Mas me contrataram para dar opinião. Eu criticava quem tivesse que criticar. Enquanto a Globo me deixou trabalhar, fiz minha parte. Saí de consciência limpa. Não vendi minha alma nem meu caráter.
P. O clima, então, já não era dos melhores, certo?
R. A relação azedou quando eu critiquei o Vinicius Junior [após um clássico contra o Botafogo]. Fui ameaçado de morte pela torcida do Flamengo, dei queixa na delegacia. Esperava um suporte, mas não recebi apoio de ninguém na emissora. A partir dali a coisa não ficou legal. Como já estava tudo esquematizado para eu ir pra Rússia, não quis deixar os caras na mão. Mas eu abandonaria o barco depois da Copa.
P. Ter passado por um constrangimento no ar antecipou a ruptura?
R. Aquela nota interrompendo o programa [Seleção SporTV] para me censurar partiu de um diretor covarde, que eu ainda não sei o nome. Foi a gota d’água. Na mesma semana, decidi não prestar mais serviços à Globo e pedi para sair.
P. Acredita que o fato de ter manifestado publicamente suas posições políticas interferiu no desgaste com a Globo?
R. Eu espero que não, mas, provavelmente, sim. Durante a Copa do Mundo, a Globo soltou um comunicado pedindo para que os funcionários tivessem cuidado com os posicionamentos políticos em redes sociais. Acho que, a partir do momento em que você tá em casa, a vida é sua. Você posta o que quiser. Jornalista que abre mão de rede social a pedido do patrão, indiretamente, vende seu caráter ao chefe.
P. O que mais te decepcionou em sua passagem pela crônica esportiva?
R. A falta de humildade dos jornalistas. Gostam de ironizar ex-jogador por cometer erro de português, mas a gente agrega outro tipo de conhecimento, velho. Sabe qual é a diferença do atleta para o jornalista? É que nós aprendemos desde criança que existe alguém melhor que a gente. Quando entramos pra jogar, pensamos: “Caralho, aquele cara ali é bom, hein?”. Aprendemos a respeitar nosso adversário. Posso até odiá-lo, mas nunca vou desejar que desapareça, porque eu preciso dele para ser melhor. O jornalista não tem essa capacidade porque nunca entrou em campo. Não tenho a escrita, o vocabulário ou o estudo do jornalista, mas tenho outra visão de mundo. Foi muito feio observar de perto essa soberba. Como que alguém que nunca pisou num gramado pode ter tanta certeza de uma coisa? Passei a vida inteira sendo criticado. Me disseram coisas absurdas na época em que eu jogava e continuo vivo. Por que não posso criticar a imprensa?
P. Suas ressalvas vão além da questão com os setoristas dos clubes?
R. Como é que a imprensa deixou o Eurico Miranda ficar tanto tempo no poder? Em 2015, ele renovou o contrato do Vasco com a televisão. Quando a Globo adianta a verba dos direitos de transmissão, ela presta um desserviço ao futebol, porque não ensina o dirigente a administrar o dinheiro. E aí os clubes caíram num buraco. Mas gostam de ficar enganando o torcedor dizendo que a solução é trocar técnico, tirar jogador, contratar não sei quem… Eu não sirvo pra enganar torcedor. Times como o Vasco precisam de um trabalho sério, de longo prazo, sete a dez anos, para aspirar alguma mudança definitiva. E o que acontece? Quando perde, sai matéria detonando tudo, em vez de aprofundar nas causas. Outro negócio que me chocou: fazendo Campeonato Estadual, os caras não falam o nome dos jogadores de time pequeno. Parece que o time grande joga contra um fantasma. Quando eu ia comentar jogo do Volta Redonda, por exemplo, ligava pro assessor do clube para pegar informação de todos os jogadores, o esquema tático do técnico. Se o fulano joga bem, preciso saber o nome dele pra elogiar. Ou pra criticar, se jogar mal. Essas situações que observei me entristeceram para caralho.
P. Você não se via em conflito interno por trabalhar num lugar tão diferente de suas visões?
R. Não adianta pagar caríssimo pelo campeonato se você não protege o espetáculo. Eu brigava por isso lá na Globo. Queria mostrar pra eles que um calendário melhor deixaria o produto deles melhor. Tem jogo quarta e domingo no Brasil, porra. Ninguém aguenta. Está tudo associado ao dinheiro. Atleta não é máquina. Pra jogar bem, ele precisa se recuperar. Não pode ter jogo do Campeonato Brasileiro em data FIFA. E a falta de conhecimento da imprensa sobre esses detalhes me espantou. Todo mundo evoluiu. Por que a imprensa não pode evoluir? A análise ainda se resume a eleger o herói e o vilão. Isso é muito perigoso. Olha o recado que passam para a sociedade: ou você é craque ou você é um merda. Por que às vezes o atleta brasileiro amarela? Porque sabe que vai ser massacrado quando perder. Cria-se o pavor da derrota, que influencia no rendimento. O torcedor entra nessa lógica, quer saber quem foi o culpado.

“Me revolto quando vejo jogador e ex-jogador de direita. Nós viemos de baixo, fomos criados com a massa. Como vamos ficar do lado de lá? Vai apoiar Bolsonaro, meu irmão?”

P. Certa vez, você disse que o Renê, lateral do Flamengo, só era criticado por ser nordestino, e esse comentário gerou bastante repercussão...
R. Quando cobram 180 reais num ingresso, quem tá no estádio é outro tipo de público. Os jogos do Flamengo hoje são feitos pra quem mora na Zona Sul e na Barra da Tijuca. Tenho embasamento para falar do Renê. Quem são os jogadores que a torcida do Flamengo mais pega no pé? Muralha, que tinha um corte de cabelo todo diferente. Márcio Araújo, negro. Rodinei, que, de forma absurda e desrespeitosa, é chamado de “porca gorda”. Pará e Renê, que vieram das regiões Norte e Nordeste. Como comentarista, percebi que já havia uma campanha dos torcedores contra o Renê, mas, em campo, eu não via um desempenho tão ruim. Pelo contrário. Ele é um dos melhores laterais marcadores do Brasil. E o time não perde só por causa de um cara. Outros jogadores, que tinham performance abaixo, eram analisados de maneira diferente. Mas isso faz parte da nossa cultura elitista. E o próximo da lista será o Vitinho, que também é negro. O inconsciente toma conta. Só falam de quanto ele ganha e quanto custou, mas ninguém leva em consideração que o cara veio da Rússia e vai demorar a se readaptar. “Ah, mas ganha bem pra isso”. Porra, é ser humano. Sabe de onde ele veio? Sabe com foi a infância dele, tudo que ele viveu pra chegar até aqui?
P. Na época, o Flamengo emitiu uma nota dizendo que sua torcida não é racista.
R. Claro que a torcida do Flamengo não é racista, velho. Mas uma parte da torcida que paga 180 reais pra ir no jogo é racista sim, assim como parte da torcida do Vasco e de outros times grandes. Como pode um torcedor do clube que aceitou os negros, onde os operários construíram o próprio estádio, ser racista? O cara é torcedor de time popular. Como pode ser fascista? Isso é doença. Só pegam no pé dos mesmos. Se apaixonam por jogador que não tem muito valor técnico, mas uma aparência melhor. Eu vim do Nordeste, pô! Sei bem como é.
P. Sofreu muitas críticas preconceituosas?
R. Todo mundo passa por isso, meu amigo. Quem joga futebol escuta muita coisa preconceituosa, dentro e fora do estádio, incluindo a análise da imprensa. Não se faz a crítica técnica, mas humilhando o jogador. Tem que ter limite na hora de criticar. O cara tem família, os filhos vão pra escola, ouvem um monte de besteira. A pressão é muito grande. O Alex conta que o pai dele passou mal de tanto ouvir crítica do Galvão Bueno na TV. É algo que se repete.
P. Enxerga certo preconceito de classe na crítica da imprensa aos jogadores?

R. Existe o preconceito, mas também o interesse em marginalizar o atleta. A verdade é que a imprensa oprime o jogador. Quer que ele seja visto apenas como um marginal, um ignorante. Não sou formado em nada. Mas eu nasci em Recife, cheguei ao Rio com 19 anos, morei oito anos na França e dois no Catar, mais seis meses nos Estados Unidos. Visitei mais de 40 países jogando futebol. Será que a vida não me ensinou outras coisas? Sabe por que o atleta homossexual não se assume? Porque ele tem medo da repercussão na imprensa. Medo de ser humilhado. Outra coisa que sou totalmente contra: entrevista na beira do campo. Jogador tem que ir pro vestiário, tomar banho e esfriar a cabeça. Naquele momento, ele não está em sua plenitude de sobriedade. No calor da emoção, o que o cara diz ali, depois de 90 minutos de esforço intenso, pode sair do contexto ou não ser o que ele realmente queria dizer.
P. Por que tão poucos jogadores se posicionam politicamente?
R. A carreira do jogador é curta. O futebol exige tanta dedicação que você acaba se alienando. Entendo o atleta que ainda está jogando e prefere não se posicionar. Mas o ex-atleta que tem uma boa qualidade de vida não falar nada sobre a situação do país é inadmissível.
P. Foi por isso que você passou a se posicionar mais após a aposentadoria dos gramados?
R. Minha consciência política e minha responsabilidade como cidadão se desenvolveram muito mais depois que parei de jogar. Antes, quando aparecia notícia de que um político tinha morrido, eu dizia: “Menos um pra roubar”. Aprendi as coisas lendo, viajando o mundo e observando como tudo funciona para emitir minha opinião. Mas é claro que o jogador jovem, que não é amigo de jornalista e não tem ninguém pra protegê-lo, vai ser engolido ao se posicionar. Acaba evitando gastar energia com isso para se concentrar no seu ganha-pão.
P. A passagem pela França ajudou a amadurecer sua consciência política?
R. O que me despertou para a política foi o lado humano dos franceses. Eu pensava que o brasileiro era solidário. Enchia a boca pra dizer isso. Mas que mentira, velho. O francês é solidário para caralho. Tem os extremistas, a parte que despreza os muçulmanos, racista. Mas a maioria do povo francês é humanamente evoluída. Vi jogador mais novo receber proposta para ganhar o dobro em outro clube e recusar porque era da cidade, não queria sair de lá. E eu não entendia. Só olhava pelo lado financeiro. Essa era minha mentalidade. Vi também jogadores que saíram de países muito mais pobres que o nosso, em guerra civil, terem mais respeito ao próximo e educação que a gente. Nós somos muito gananciosos. Só sei disso porque morei fora do Brasil. O futebol me ensinou a enxergar o mundo. Quem salvou minha vida foi o futebol.
P. Se refere à ganância do brasileiro em geral?


Juninho e a família, em Los Angeles.
Juninho e a família, em Los Angeles. ARQUIVO PESSOAL

R. Olha, quem tem dinheiro vivo, lucra com essa situação caótica do país, com o dólar nas alturas. Eu joguei 10 anos fora do país, recebendo em moeda estrangeira, só gastei 30% do que ganhei, tudo declarado, certo? O patrimônio que tenho investido lá fora só aumenta. Como o povo está feliz com esse sistema se ainda tem criança morrendo de fome no país, pô? Isso é injusto! A classe mais rica precisa de sensibilidade. Todos nós, brasileiros, gostamos de dinheiro. Mas, quando a ganância cresce demais, a distância para os mais pobres fica muito grande e a violência dispara. A riqueza não pode ficar na mão de poucos. É egoísmo. E tudo começa na linha de largada. Eu luto para que as oportunidades não fiquem só na mão de quem já tem privilégios. Como vamos falar de meritocracia? Meritocracia existe no esporte, onde treina todo mundo junto e o melhor tem que jogar. Mas, num país como o Brasil, não dá pra falar em meritocracia. Uma minoria larga bem à frente e quer exigir que os retardatários sejam alguém na vida. Essa corrida nunca vai ser justa.
P. Você se reconhece como privilegiado nesse sistema?
R. Eu ganhava 60 paus lá na Globo pra trabalhar duas vezes por semana. Já estou em uma boa condição. Poderia ficar calado, feliz da vida e levando vantagem, já que o sistema só está me ajudando. Mas que felicidade é essa? O brasileiro perdeu a autoestima, anda de cabeça baixa na rua. Tem uma molecada aí de 20, 30 anos que ainda mora com os pais e passa o dia inteiro na frente da TV, uma geração desiludida. Não é esse o país que eu quero para minhas filhas.
P. Viver numa casa com quatro mulheres também influencia sua visão de mundo?
R. Reconheço que ainda sou um machista em desconstrução, porque foi a educação que recebi. Aceito essa condição para poder evoluir. Aprendo todo dia com minhas filhas, vendo a luta das mulheres para ter direitos iguais no Brasil.

“O que as pessoas odeiam no Lula é a aparência, a origem, o sotaque, a história e a popularidade”

P. Assim como ex-colegas do futebol, você tem planos de entrar para a política?
R. Ainda não sei. Estou esperando a vida me mostrar o que devo fazer. Nunca me envolvi com nenhum político, nunca fiz campanha pra ninguém. Conheci o Lula pessoalmente quando o Brasil jogou contra o Haiti, em 2004. Ele foi lá, agradeceu a gente e deu uma carta para cada um. Foi a única vez que estive com ele. Eu o admiro muito. Ninguém vai apagar o que ele fez por esse país. O Lula é um senhor de 72 anos que está sendo massacrado. Por que as pessoas odeiam o Lula? O que odeiam nele é a aparência, a origem, o sotaque, a história e a popularidade. Se fizer um teste de ódio nas ruas, colocando um boneco do Lula ao lado de um do Aécio, vai sobrar para o Lula. Nem se compara. A elite exerce um domínio mental. Funcionário usar roupa branca na sua casa, uma coisa do tempo da escravidão. Como tenho boa condição, eu vivia entre os bacanas, morava em condomínio de rico. E via o pai passando esse ódio pro filho, uma coisa surreal.
P. Como analisa o cenário político no Brasil nesses últimos anos?
R. Nossa democracia é muito jovem, mas o básico seria entender que o voto tem peso igual. Negro, branco, pobre, rico: nenhum voto vale mais que outro. O problema é que, depois de tanto tempo de esquerda no governo, o desespero pela retomada do poder cegou algumas pessoas. Precisou de quantos para tirar a Dilma? Aécio, Eduardo Cunha, Temer e… A imprensa, pô! Rasgaram nossos votos e nos levaram a esse terror. Que tirassem a Dilma agora, nas urnas. Por pior que estivesse o país, não chegaria nessa situação, em que um extremista é cotado à presidência. Pode escrever aí: a grande mídia vai apoiar o Bolsonaro se ele for pro segundo turno.
P. Algumas personalidades do futebol também, não?
R. Muitos brasileiros ignoram que outros foram torturados e assassinados na ditadura. É desesperador ver gente apoiando intervenção militar. O Exército existe para defender o país, proteger as fronteiras, não para matar brasileiro na favela. Eles não foram treinados pra isso. Dizem que eu defendo bandido. Mas a gente tem que parar com essa história de achar que todo crime é igual. Uma coisa é assassino, outra é o cara que rouba. Não posso colocar um jovem de 18 anos que roubou num presídio. Ali é categoria de base para o crime. Quando o cara sai, ele quer se vingar da sociedade. Por isso que eu me revolto quando vejo jogador e ex-jogador de direita. Nós viemos de baixo, fomos criados com a massa. Como vamos ficar do lado de lá? Vai apoiar Bolsonaro, meu irmão?
P. Por envolver a paixão, o meio do futebol é um terreno fértil para a intolerância. Como fez para se blindar desse ambiente, sobretudo jogando em outros países?
R. Uma das minhas filhas nasceu em Recife, as outras duas, em Lyon. Minha neta vai ser filha de nordestina com americano descendente de chineses. Será que não tem diversidade na minha família? Sou um cidadão do mundo. Não posso ser intolerante com as diferenças. A única ressalva são os extremistas. Será que um cara que crê na existência de “raças humanas” e propaga discurso de ódio merece a democracia?
P. Nota paralelos entre o futebol e a política?
R. O futebol está tão perdido quanto o Brasil. A diferença é que o futebol ainda tem o talento a seu favor e pode demorar menos para sair do buraco.
Fonte:EL Pais
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