A Record está entre os assuntos mais comentados no Twitter, nesta quarta-feira. A emissora está sendo acusada de racismo por exibir uma reportagem associando Beyoncé à magia negra. Na matéria do programa "Fala Que Eu te Escuto", o canal de televisão se propõe a explicar o que é esse tipo de magia e fala sobre uma denúncia que a cantora recebeu por supostamente ter enfeitiçado uma baterista que fazia parte da banda dela.
Nas redes sociais, muitos internautas ficaram revoltados com a reportagem. As pessoas ficaram muito indignadas com o fato de a Record ter usado imagens do filme musical "Black is King", no qual a diva pop exalta as culturas negras e africanas, pois se trata de um ato racista e de intolerância religiosa.
A reportagem fala que Beyoncé tem uma carreira sólida e com poucas polêmicas, mas uma delas assustou até os fãs. A narradora fala que a artista "teria praticado rituais de magia negra contra uma ex-integrante de sua banda. A ex-baterista de Queen B, Kimberly Thompson, levou o caso para a polícia. Denunciou Beyoncé pelos supostos atos de bruxaria. Na época, Kimberly disse que a cantora recorreu à magia negra lançando feitiços de abuso sexual contra ela"
Em pleno 2021, a @recordtvoficial fez uma matéria insinuando que Beyoncé pratica “magia negra e bruxaria”.
Enquanto falavam essas atrocidades, a emissora usou imagens de “Black Is King”, filme de Beyoncé que exalta a cultura africana! #RecordRacistapic.twitter.com/okcyDUbPx3
TV Record is accused of racism for associating Beyoncé with black magic in report of the Universal Church DO ODIA
The Record is among the most talked about topics on Twitter, this Wednesday. The network is being accused of racism for airing a story associating Beyoncé with black magic. In the article of the program "Fala Que Eu te Escudo", the television channel proposes to explain what is this kind of magic and talks about a complaint that the singer received for allegedly bewitching a drummer who was part of her band.
On social networks, many internet users were outraged by the report. People were very outraged that Record used images from the musical film "Black is King", in which the pop diva exalts black and African cultures because it is a racist act and religious intolerance.
The report says that Beyoncé has a solid career and with few controversies, but one of them scared even the fans. The narrator says that the artist "would have practiced dark magic rituals against a former member of her band. Former Queen B drummer Kimberly Thompson took the case to the police. He denounced Beyoncé for the alleged acts of witchcraft. At the time, Kimberly said the singer resorted to black magic by casting sexual abuse spells against her"
Segundo o Ministério Público, igreja de Edir Macedo teria sido usada para lavar dinheiro em conexão com esquema de corrupção na prefeitura do Rio
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) identificou movimentações atípicas realizadas pela Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) que totalizam quase R$ 6 bilhões. Para o MP, a igreja do bispo Edir Macedo foi usada para lavar dinheiro desviado no esquema de corrupção da Prefeitura do Rio.
A informação consta de um documento enviado à Justiça pelo subprocurador-geral de Justiça de Assuntos Criminais e de Direitos Humanos do MPE-RJ, Ricardo Ribeiro Martins, foi revelado pela TV Globo. Na petição, a Iurd é citada por ter chamado a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) após movimentar R$ 5.902.134.822 entre o dia 5 de maio de 2018 e 30 de abril de 2019.
Carla Cecato e Roberta Piza na bancada do “Fala Brasil”; Cecato deixou o jornal para cuidar da saúde Imagem: Antonio Chahestian/ Record TV
“Fala Brasil”, telejornal matutino da Record, está afundando em audiência.
Ele está com 4,8 pontos de média na Grande São Paulo, atrás do SBT, que marcou 5,5 pontos. No ano de 2010 o telejornal registrou média de 7,1 pontos. Em 2011, 6,90 pontos. Na comparação com este ano é uma significativa queda de 32%.
. Cada ponto em SP vale por cerca de 73 mil domicílios sintonizados.
Mesmo com a reta final do Dancing Brasil, a liderança do Balanço Geral e as estreias do novo Jornal da Record, de A Fazenda 2019 e do Canta Comigo, de Gugu Liberato, a Record foi a que mais perdeu audiência entre as grandes do país em setembro.
A Record apareceu em terceiro na região da Grande São Paulo, com 5,0 pontos. Cada ponto representa 73 mil domicílios.
O número representa mais um ponto negativo para a emissora de Edir Macedo, que busca retomar a posição de vice-líder no país e em São Paulo, região mais cobiçada pelo mercado publicitário.
Bancários do Paraná foram à Justiça contra a propaganda enganosa que emissoras de televisão estão fazendo em favor da reforma da previdência em troca de milhões em verbas publicitárias pagas com dinheiro público. As ações questionam falta de imparcialidade na cobertura da Globo, Record, SBT e Band.
O distinto leitor sabe que as TVs brasileiras são públicas e funcionam por meio de concessão da União. Um dos dispositivos constitucionais para seu regular funcionamento é o cumprimento da função social dos meios de comunicação social. No caso da reforma da previdência, a velha mídia faz um desserviço para atender aos interesses econômicos de bancos privados.
Se não houver equilíbrio na cobertura jornalística da reforma da previdência, os trabalhadores adiantam que pedirão a revogação da concessão do sinal das TVs (Lei Nº 4.117/1962 e Decreto nº 52.795/1963).
A Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (FETEC-CUT-PR), junto aos Sindicatos dos Bancários de Apucarana e de Umuarama, e ao Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de São José dos Pinhais (Sinsep), protocolou, em julho e em setembro, quatro Ações Civis Públicas na Justiça Federal do Paraná contra as afiliadas das emissoras Band, Globo, Record e SBT questionando as abordagens favoráveis à Reforma da Previdência nos telejornais.
As entidades solicitaram acesso a uma listagem de matérias veiculadas sobre a Reforma da Previdência, registrando tempo de transmissão e quais partes foram ouvidas, na intenção de observar participação igualitária pró e a favor. Pleitearam, ainda, que a União fosse acionada para explicar procedimentos de agência reguladora, entendendo as televisões como concessão pública e o direito da população à informação.
Um dos aviões de uma empresa de táxis aéreos ligada à Igreja Universal
Com atualização no dia 4 de junho de 2019
A Iurd (Igreja Universal do Reino de Deus) utilizava aviões da Alliance Jet, empresa do conglomerado controlado por pastores, para tirar ilegalmente do Brasil dinheiro arrecadado com o dízimo e enviá-lo a paraísos fiscais, de acordo com suspeitas do Ministério Público do Estado de São Paulo.
O MP chegou a apresentar a denúncia (acusação formal) à Justiça contra Edir Macedo, fundador da Igreja, e outras nove pessoas por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
A denúncia não deu em nada.
No Brasil, a Igreja tem cerca de 4.500 templos distribuídos em 1.500 cidades e 8 milhões de fiéis. Parte do dízimo em espécie recolhido nesses templos é colocada em sacolas para ser transportada por aviões particulares, diz o jornal “O Globo”, citando o MP como fonte de informação.
A Universal obtém por ano dos fiéis cerca de R$ 1,4 bilhão – dinheiro livre de tributação.
Como sede em Sorocaba (SP), a Alliance Jet era uma empresa ligada à Igreja Universal. A partir de 2015, a Igreja começou a se desfazer dessa empresa de táxi aéreo. Ela tinha três aviões que eram usados por bispos da Igreja e também alugados para terceiros.
De acordo com o Ministério Público, a empresa faturava cerca de R$ 500 mil por meses no início da década de 90.
Informação disponível em 2008 dava conta de que um dos aviões da companhia era o Falcon 2000 EX Easy, que viajava com regularidade para os Estados Unidos e Caribe.
Com casa em Nova Iorque, o próprio Edir Macedo era de seus mais frequentes passageiros.
Em uma ocasião, Macedo resistiu a uma vistoria pela Polícia Federal em seu avião no aeroporto de Cumbica, Guarulhos.
“Eu sou um enviado de Deus e vocês [policiais] estão atrapalhando o meu trabalho”, disse ele irritado, conforme informação que a Veja obteve do delegado da PF Mário Menin Júnior.
O prefeito do Rio Marcelo Crivella (PRP) realizou coletiva de imprensa, nesta quinta (25), para anunciar que exigirá da Globo a devolução de R$ 364 milhões obtidos em contratos sem licitação.
Segundo Crivella, a Fundação Roberto Marinho conquistou R$ 214 milhões sem licitação em obras. Para o prefeito carioca, os contratos são “suspeitíssimos” porque não se sabe da expertise da entidade ligada à Globo para projetos de arquitetura e acompanhamento de obras. “Vamos meter o dedo nessa ferida”, prometeu.
Além desses recursos sem licitação, Crivella ainda abriu a caixa-preta da publicidade. “Em 2016, a Globo recebeu R$ 150 milhões, dez vezes mais que os demais veículos de comunicação”, anunciou.
O Blog do Esmael apurou que um dos coach de Marcelo Crivella é o mesmo que treina o presidente Jair Bolsonaro (PSL).
“Pessoal, desde o dia 18, está sendo veiculado em alguns meios de comunicação que a Prefeitura do Rio teria feito obras sem licitação e que, por isso, elas seriam “fantasmas”. Achamos importante convocar uma coletiva de imprensa para esclarecer os fatos, de uma vez por todas.
As obras citadas são, na verdade, emergenciais. Elas foram necessárias depois das fortes chuvas que caíram na cidade. Nosso objetivo era um só: salvar vidas.
Como a situação era preocupante, declaramos estado de calamidade na cidade e autorizamos as obras emergenciais para, posteriormente, assinarmos os contratos.
Reitero que nosso maior objetivo é o bem-estar do cidadão carioca.
Nosso trabalho é, e sempre será, pautado na transparência.
Também fizemos uma investigação e constatamos que existem, sim, contratos de R$ 214 milhões sem licitação que precisamos averiguar. Esses contratos são do município com a Fundação Roberto Marinho.
Precisamos saber o motivo que levou a antiga gestão a liberar recursos, sem licitação, ao Grupo Globo. O fato é que, neste caso, não havia risco de vida e, muito menos, estado de calamidade pública. Portanto, não era nada emergencial. #CrivellaPrefeito #coletivadeimprensa”
Reportagem expõe envolvimento da Igreja Universal com golpe de Pirâmide Financeira
O site The Intercept Brasil afirmou nesta semana que a Igreja Universal do Reino de Deus, que tem filiais espalhadas por todo o mundo, ajudou a promover o esquema de pirâmide financeira de criptomoedas AirBit Club de 2016 a 2018.
A matéria mostra vídeo Gabriel Fonseca Reis, na época representante da pirâmide, participando de um dos cultos da igreja.
Segundo o relato de Gabriel, que fala em nome da empresa, ele teria comprado seu primeiro carro - uma BMW - com 16 anos, ganharia na época cerca de R$ 100 mil por mês, e teria conseguido valorização mensal de Bitcoin de 50%.
O carro citado trata-se de bem adquirido com a Multiclick Brasil(QUE era promovido por Ratinho do SBT), que teve suas atividades bloqueadas pelo Ministério Público de Santa Catarina por atividade econômica irregular no ano de 2013.
Como todos sabem este não foi o primeiro golpe a usar o altar de igrejas para promover atividades criminosas com a conivência e participação direta dos seus Pastores representantes de um "deus" do dinheiro
A Coluna de Maurício Stycer no UOL diz que as duas maiores emissoras de TV ignoraram a entrevista histórica do ex-presidente. “Autorizados pelo STF, a Folha e o El País realizaram na tarde desta sexta-feira (26) a primeira entrevista com o ex-presidente Lula desde que ele foi preso, em 7 de abril de 2018. A entrevista durou quase duas horas e teve enorme repercussão na mídia”.
O jornalista dá mais informações: “À noite, os principais telejornais do SBT e da Band noticiaram e repercutiram a conversa de Lula com os jornalistas Monica Bergamo e Florestan Fernandes Junior. Na RedeTV!, Boris Casoy criticou Lula por usar a entrevista ‘como palanque para atacar adversários'”.
“Já os principais telejornais da Globo e da Record ignoraram o assunto. Curiosamente, Lula mencionou o ‘Jornal Nacional’ numa resposta, ao dizer: ‘Eu penso que haverá um dia em que as pessoas que irão me julgar estarão preocupadas com os autos do processo, estarão preocupadas com as provas contidas no processo, e não com a manchete do Jornal Nacional e não com a capa da revista e não com as mentiras do fake news'”, completa o colunista.
Os gastos em publicidade do primeiro trimestre do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) cresceram 63% em relação ao mesmo período do ano anterior e chegaram a R$ 75,5 milhões. Os dados foram obtidos a partir de um levantamento feito pelo UOL com base em informações da Secom (Secretaria Especial de Comunicação), vinculada ao Palácio do Planalto.
O levantamento mostra também que nos três primeiros meses do governo Bolsonaro, a Record passou a Globo e foi o grupo de comunicação que mais recebeu verbas publicitárias do governo. É a primeira vez que ocorre essa inversão em ao menos dois anos, segundo as análises por trimestre.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Secom informou que os pagamentos feitos no primeiro trimestre são referentes a despesas contratadas na gestão do ex-presidente Michel Temer (MDB) e que o presidente Jair Bolsonaro autorizou, até agora, o gasto de R$ 12 milhões referentes à campanha publicitária da reforma da Previdência.
O levantamento feito pelo UOL teve como base os gastos feitos pela Secom. Esses dados são compilados em um site alimentado pelo governo. Ele não inclui os gastos em publicidade feito por ministérios e pelas empresas estatais, cujos dados são armazenados em diferentes separados.
Os dados indicam que os gastos da Secom com publicidade institucional saíram de R$ 44,5 milhões no primeiro trimestre de 2018 para R$ 75,5 milhões no mesmo período de 2019.
Esses valores são referentes aos gastos do órgão com o pagamento de agências de publicidade, pesquisas de opinião pública, comunicação digital e repasses a veículos de comunicação em todo o Brasil. Corrigindo os números pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que no período variou 4,2%, chega-se a um aumento de 63% entre um ano e outro.
Na comparação com o mesmo período de 2017, o crescimento é ainda maior. Nos primeiros três meses daquele ano, a Secom gastou R$ 35 milhões. Na comparação entre os gastos em 2017 e 2019, o crescimento é de 101%, já descontada a inflação no período.
Os levantamentos foram feitos entre os anos de 2017 e 2019 porque o sistema alimentado pelo governo só passou a compilar informações detalhadas sobre os gastos da secretaria a partir de janeiro de 2017, após a emissão de uma instrução normativa do então Ministério do Planejamento, absorvido posteriormente pelo Ministério da Economia.
Record e SBT passam a Globo em 2019
A comparação entre 2017 e 2019 mostra que, neste ano houve uma aparente quebra no padrão de distribuição das verbas publicitárias repassadas pela secretaria de comunicação do governo.
Os dados mostram que em 2017 e 2018, a Globo encontrava-se isolada na liderança do bolo publicitário, e que Record e SBT se revezavam em segundo lugar. Em 2017, por exemplo, a Globo faturou R$ 6,9 milhões no primeiro trimestre. Em segundo lugar ficou o SBT, com R$ 1,34 milhão. Em terceiro, ficou a Record com R$ 1,21 milhão.
Em 2018, o padrão se manteve. A Globo faturou R$ 5,93 milhões nos três primeiros meses do ano. Em segundo lugar ficou a Record, com R$ 1,308 milhão. Em terceiro ficou o SBT com R$ 1,1 milhão.
Em 2019, o padrão mudou. Em primeiro lugar ficou a Record, com R$ 10,3 milhões. Em segundo, veio o SBT, com R$ 7,3 milhões. Em terceiro veio a Globo, com R$ 7,07 milhões.
Para superar a Globo, Record e SBT tiveram crescimentos exponenciais de seus faturamentos publicitários junto à Secom. Em relação a 2018, o crescimento do faturamento publicitário da Record junto à Secom no primeiro trimestre de 2019 foi de 659%, valor já considerando a variação da inflação no período.
A Rede Record é ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, comandada pelo bispo Edir Macedo. O religioso declarou apoio à candidatura de Bolsonaro à Presidência em setembro do ano passado.
Desde que assumiu o poder, o presidente já concedeu duas entrevistas exclusivas à rede. O SBT também experimentou um crescimento exponencial no período: 511%. Enquanto isso, o faturamento dos veículos das Organizações Globo cresceu 19%, saindo de R$ 5,9 milhões para R$ 7,07 milhões.
Bolsonaro prometeu cortar gastos
Uma das promessas de Bolsonaro em sua campanha à Presidência foi cortar gastos referentes à publicidade governamental. No início do ano, ele chegou a propor uma mudança no sistema de redirecionamento da verba estatal para veículos de comunicação.
Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, essas mudanças seriam uma estratégia para acabar com o predomínio da Globo no faturamento da verba publicitária do governo.
O Planalto deve investir por volta de R$ 45.000.000,00 na campanha defender a reforma da Previdência. As propagandas começaram na 4ª feira (20.fev.2019) e devem prosseguir até o final de março.
O slogan é “Nova Previdência: Justa para todos. Melhor para o Brasil”. A campanha evita a palavra “reforma”. Assista:
Haverá publicidade em mídia impressa, rádio, TV, internet e mobiliário urbano. Em resumo, onde houver 1 espaço, haverá uma propaganda.
O Poder360 realizou uma busca no Google com as seguintes palavras chaves: “reforma” “da” “previdência”. O 1º tópico do navegador é 1 anúncio do governo federal que direciona para o site oficial da reforma. Eis abaixo:
A TV Globo também receberá verbas para divulgar a campanha. Não se sabe ainda em que proporção.
O Grupo Globo foi classificado como “inimigo” num áudio do presidente Jair Bolsonaro vazado pelo ex-ministro Gustavo Bebianno (Secretaria Geral).
Temer: R$ 189 milhões
O ex-presidente Michel Temer gastou R$ 189 milhões na campanha para tentar aprovar a reforma da Previdência.
Não deu certo. O valor foi 4 vezes mais do que Bolsonaro pretende investir em propaganda com esse projeto.
A reforma da Previdência proposta pelo emedebista foi enterrada oficialmente 19 de fevereiro de 2018. A medida foi enviada ao Congresso em dezembro de 2016, mas nunca obteve votos o bastante para a aprovação.
Para tentar justificar a mudança de agenda política em ano eleitoral, o governo decretou intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro. Por se tratar de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), a reforma não pôde ser mais discutida na Câmara. A intervenção no Rio acabou em 31 de dezembro de 2018.
Você sabe como funciona a administração financeira da Universal?
Onde são gastos bilhões em ofertas?
Quanto recebe de salário o líder religioso mais rico do Brasil?
Veja neste documentário toda verdade com provas e documentos.
Jornal GGN - Decisão recente da segunda instância de São Paulo condenou duas emissoras de televisão por terem associado religiões afro-brasileiras a demônios. A Rede Record e a Rede Mulher deverão produzir quatro programas por semana com duração de uma hora para permitir o direito de resposta e "recompor a verdade".
A decisão foi tomada pela Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), na última quinta-feira (05), por unanimidade, acatando aos pedidos do Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afro-Brasileira (ITECAB) e pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e da Desigualdade (CEERT).
O processo foi aberto após as instituições verificarem que as religiões afro-brasileiras vinham sofrendo constantes agressões em programas veiculados pelas duas emissoras, nos programas “Mistérios”, “Sessão de descarrego” e “Orixás, Caboclos e Guias, Deuses ou Demônios”.
De acordo com a relatoria, a desembargadora federal Consuelo Yoshida, além dos quatro programas que serão veiculados, as televisões deverão conceder estúdio, estrutura e pessoa de apoio necessário para a produção dos programas. E, ainda, cada edição deverá ser reprisado duas vezes, totalizando oito veiculações, com espaco de sete dias entre uma e outra.
Ainda, cada transmissão deverá ser antecipada com, pelo menos, três chamadas, ou seja, a propaganda do progrmaa, usando os mesmo padrões que as emissoras utilizam para a sua programação.
O voto da relatora, que tomou como base a Constituição Federal, que proíbe "a demonização de religiões por outras", foi acompanhado pelos desembargadores Johonson Di Salvo e Diva Malerbi.
O twitter da emissora festejando a exploração do evento
O #JornalDaRecord exibido no último sábado (26) bateu recorde de audiência do ano ao exibir todos os detalhes da operação de resgate às vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho (MG) https://t.co/9iSg55f6aU
Dez anos depois da enchente em SC, boa parte das casas prometidas pelo Ressoar não foram construídas ou seguem inacabadas. Fotos: Eduardo Valente.
Hyury Potter, via The Intercept Brasil em 14/1/2019
Os últimos três meses já haviam sido de chuva torrencial. O solo estava completamente encharcado em quase todas as regiões de Santa Catarina. Famílias haviam deixado suas casas, estabelecimentos comerciais fechado as portas e milhares de equipes de resgate trabalhavam em meio à lama e aos alagamentos que, àquela altura, já se mostravam devastadores.
Mas o ápice da tragédia ainda estava por vir. Nos dias 22 e 23 de novembro de 2008, o estado registrou a maior precipitação de chuva de sua história. Os rios localizados na região do Vale do Itajaí transbordaram e arrastaram tudo o que havia pela frente. Morros inteiros desbarrancaram e levaram inúmeras casas abaixo.
Foram 135 mortes confirmadas por causa da enchente, um quarto delas em Ilhota, pequeno município de 12 mil habitantes que fica a pouco mais de 100 km de Florianópolis. Todos os acessos por estrada ao município ficaram bloqueados pela cheia do rio Itajaí-Açu ou por deslizamentos do Complexo do Morro do Baú. Equipes do Corpo de Bombeiros de diversos estados que ajudaram no resgate só conseguiram chegar em alguns bairros do município de helicóptero.
A maior enchente já registrada em Santa Catarina deixou quase 33 mil pessoas desalojadas – 5,6 mil perderam suas casas. Sessenta e três municípios decretaram situação de emergência e 14 de calamidade pública. Além das mortes confirmadas, 12 pessoas nunca foram encontradas, e a Defesa Civil chegou a orientar os moradores de áreas isoladas a enterrarem os mortos no quintal.
Imagens da devastação em Santa Catarina circularam na imprensa nacional e internacional. A ajuda veio dos mais diversos lugares: pessoas de outros estados enviaram roupas e alimentos, várias cidades receberam recursos de outros países. Um rei árabe chegou a doar dinheiro para construir mais de 400 casas para desabrigados.
Entre as várias promessas de ajuda, uma chamou a atenção. No dia 28 de novembro de 2008, o principal telejornal da Record lançou a campanha “Reconstruindo Santa Catarina”, pedindo doações para construir casas para desabrigados. Com direito a transmissão ao vivo direto de Itajaí, onde a Record possui uma afiliada, o apresentador Brito Junior chamou matérias mostrando o sofrimento de moradores e entrevistas com a cúpula da direção do segundo maior grupo de comunicação do país.
Nas semanas seguintes, a campanha, capitaneada pelo Instituto Ressoar, fundação de caridade criada pela TV Record em 2005, arrecadou R$10,5 milhões – o suficiente para construir, segundo a empresa, cerca de 700 casas. Dez anos depois, no entanto, quase metade dos moradores cadastrados pelas prefeituras das cidades atingidas pela enchente ainda aguarda as casas prometidas. Boa parte dos que foram alojados segue sem o título de propriedade, e mesmo o Ressoar não soube informar que fim levaram as residências – e o dinheiro das doações. A instituição informou, por telefone, que “não possui qualquer registro sobre o projeto Reconstruindo Santa Catarina, uma vez que a equipe de trabalho não é mais a mesma da época”. No dia 9 de janeiro, voltamos a entrar em contato com o Instituto, questionando o motivo das construções não terem sido finalizadas e o destino do dinheiro arrecadado não utilizado. Mais uma vez, silêncio.
O último registro no site do Instituto Ressoar a mencionar a campanha é de 1 de abril de 2009, informando que R$10.452.966,15 foram arrecadados, dinheiro suficiente para construir 697 casas ao valor de R$14.830,00 cada. Não há detalhes sobre o que já teria sido construído com a verba. Em um cartilha de divulgação da campanha de 2010, o valor de arrecadação informado é ligeiramente maior: R$10,5 milhões. Mas a promessa já considerava um número menor de casas, 650. Até então, segundo o material, ao menos 470 casas teriam sido entregues em 28 municípios.
A cartilha da campanha mostrava dados ambiciosos: 470 casas já entregues e R$10,5 milhões arrecadados.
Para descobrir onde estavam as casas populares doadas pelo Ressoar, o Intercept tomou como ponto de partida os registros de desabrigados da Defesa Civil e fez contato com as 29 prefeituras que cadastraram famílias atingidas pela enchente para receberem moradias do programa.
Da promessa inicial de 697 casas, identificamos 363 casas construídas – sendo que apenas 269 foram finalizadas. Nas outras 94 faltavam, segundo moradores, desde acabamentos simples, como tomadas e rodapés, até telhado, portas e janelas. Considerando que cada construção custou R$14.830, segundo dados do Ressoar, foram investidos só R$4,9 milhões do montante de R$10,5 milhões arrecadados.
“O Instituto Ressoar não pagou nem o meu serviço
e nem os dos outros pedreiros, ficamos sem material
para terminar as casas.”
O folder do material de campanha do Reconstruindo Santa Catarina informava ainda que as construções seriam realizadas em parceria com a Companhia de Habitação do Estado de Santa Catarina, a Cohab. Embora a estatal esteja em liquidação, ainda há alguns funcionários na ativa. Segundo o atual chefe de gabinete da empresa, Júlio César Pereira de Souza, a companhia assumiu o compromisso de oferecer assistência técnica ao Ressoar. Só que, para isso, o trâmite teria que seguir o ritual público, com processo de licitação. O instituto, segundo ele, chegou a repassar cerca de R$2 milhões à Cohab, mas tomou o dinheiro de volta com a justificativa de que seria mais rápido se fizesse o processo por conta própria.
“O recurso foi devolvido, inclusive com correção monetária. Pelo que a gente soube, realmente foram arrecadados R$10,5 milhões. Eles tiveram alguns problemas com as empresas contratadas para fazer a obra. Mas, como nós devolvemos o dinheiro, a responsabilidade passou a ser exclusivamente deles”, contou Pereira, tirando da Cohab a responsabilidade pela situação.
Nesse cenário de destruição, o pedreiro Antônio Hammes, de 62 anos, que estava trabalhando a cerca de 25 km de Ilhota, em uma obra na BR 101, só conseguiu chegar à cidade, onde morava o irmão e sua família, a pé. Foram nove horas de caminhada até passar por todos os bloqueios e enfim ter notícias e ajudar os familiares.
Hammes acabou sendo contratado para trabalhar na construção de 14 casas no bairro do irmão. Ele conta que os pagamentos ficaram pela metade e apenas 12 moradias foram construídas, ainda assim de forma incompleta. Sem acabamento, a maior parte se deteriorou com o tempo e teve que ser demolida. Muitas foram abandonadas pelos próprios moradores. Apenas três resistiram porque as famílias tiraram dinheiro do próprio bolso para concluir as obras. O pedreiro ficou com uma delas e calcula ter gasto ao menos R$8 mil para deixar o local habitável.
“O Instituto Ressoar não pagou nem o meu serviço e nem os dos outros pedreiros, ficamos sem material para terminar as casas. As 12 que conseguimos subir ficaram apenas o teto e as paredes. Essas estruturas são de madeira e se não fizer logo o acabamento se estragam rápido”, lembra Hammes. Primeira casa em duas semanas Descobrimos em Itajaí a primeira moradia entregue pela campanha. Carlos Quintino, de 74 anos – que teve a casa de madeira de três cômodos à beira de um rio afluente do Itajaí-Açu quase toda submersa em poucas horas durante a enchente –, recebeu as chaves duas semanas depois de Brito Júnior anunciar o “Reconstruindo Santa Catarina” em rede nacional.
Antes, Quintino e a família de nove pessoas foram para abrigos da prefeitura, onde permaneceram mesmo após o fim da enchente, porque a antiga casa foi interditada pela Defesa Civil do município. A entrega da primeira casa da campanha teve anúncio em reportagem no telejornal nacional da TV Record e os móveis foram doados por uma dupla sertaneja local. A rapidez se deve ao modelo de casas escolhido pelo Ressoar, construções pré-moldadas de madeira de 36 m².
Mas as chaves da nova moradia não vieram com o título de propriedade do terreno e até hoje Quintino não tem sequer um documento que prove que a casa é dele. “Não temos o registro de posse. Nunca mais vimos ninguém do instituto e infelizmente moramos aqui, mas sem o papel”, reclama.
Nem todos tiveram a sorte de Quintino. No município vizinho de Timbó, das 12 casas prometidas, só quatro foram entregues – três anos depois, também incompletas. Assim como os Quintino, as quatro famílias que ocupam as habitações estão até hoje sem escritura, o que as deixa sem a possibilidade tanto de ampliar quanto de vender o imóvel. Outras quatro casas ficaram inacabadas e se deterioraram com o tempo.
Marinês dos Santos Teixeira, de 56 anos, mora em uma das unidades com o marido, de 49 anos, e dois filhos, de 17 e 19 anos. Outra filha, que é mãe de uma menina com deficiência e que, por isso, precisa de cuidados especiais, acabou mudando para outra cidade, uma vez que o espaço não comportava as necessidades da família.
Ela conta que a casa onde morava antes da tragédia era maior, de três quartos, adquirida a duras penas com seu salário de cozinheira e com o dinheiro que ganhava com um salão de beleza montado no porão. Desde que ficou cego por causa de uma doença, o marido não pode mais ajudar a pagar os boletos.
“A nossa antiga casa danificou bastante com a chuva e perdemos muitos móveis, mas não chegou a desabar. Ficamos 17 dias abrigados numa escola e retornamos para casa. Só depois de três anos é que nos tiraram de lá e nos trouxeram para essa casa do Ressoar”, conta. Hoje, o terreno foi ocupado por outra família, e o morro, que estaria condenado a desabar, continua sendo habitado.
A casa prometida pelo Ressoar, segundo Marinês, foi entregue sem piso. Por conta do pouco espaço – todas as casas têm dois quartos e um banheiro, além de sala e cozinha, distribuídos por 36 m² –, ela fez um puxadinho nos fundos, onde levantou a cozinha em cima de chão batido. Os móveis do salão de beleza foram abrigados debaixo de uma lona, mas se acabaram com a ação do tempo. Além dos problemas estruturais, a região para onde foram transferidos não dispõe de mercado ou farmácia e tem pouco acesso ao transporte coletivo. Pelo acordo com a Record, as prefeituras doavam os terrenos, com frequência em áreas afastadas do centro da cidade, e a empresa se responsabiliza apenas pelas construções.
“O meu sonho é ter escritura para que eu possa deitar a cabeça no travesseiro e dizer que isso aqui é meu, além de poder arrumar a casa do meu jeito. Até hoje me sinto injustiçada, pois foi tudo por água abaixo e nós nunca mais recuperamos”, lamenta Teixeira. Ela reclama, em especial, da falta de informação sobre a situação do imóvel. “O pessoal do Ressoar só apareceu para entregar as chaves e fazer foto, depois nunca mais vimos.”
As outras quatro casas que localizamos em Timbó estão abandonadas e inacabadas. No final da rua Silésia, no bairro Araponguinhas, é possível ver em um terreno com mato alto e as estruturas de madeira pré-moldada das residências incompletas.
“O meu sonho é ter escritura para que eu possa deitar a cabeça no travesseiro e dizer que isso aqui é meu, além de poder arrumar a casa do meu jeito. Até hoje me sinto injustiçada, pois foi tudo por água abaixo e nós nunca mais recuperamos”, lamenta Teixera. Ela reclama, em especial, da falta de informação sobre a situação do imóvel. “O pessoal do Ressoar só apareceu para entregar as chaves e fazer foto, depois nunca mais vimos.”
As outras quatro casas que localizamos em Timbó estão abandonadas e inacabadas. No final da rua Silésia, no bairro Araponguinhas, é possível ver em um terreno com mato alto e as estruturas de madeira pré-moldada das residências incompletas. Casas “fora do mapa” Cleonice Rezende de Salles, de 54 anos, moradora de Ilhota, também teve que abandonar a antiga casa após interdição da Defesa Civil. Quando recebeu a casa do Instituto Ressoar, em 2010, teve que tirar do próprio bolso acabamentos finais como piso e fiação elétrica. Como Quintino e Teixeira, ela também não possui documento de posse da residência. Nem mesmo a rua do loteamento onde a casa foi construída, no bairro Missões, foi regularizada.
“Eu já fui nos Correios e me falaram
que a minha casa não existe no mapa.”
“Eu já fui nos Correios e me falaram que a minha casa não existe no mapa. Me explicaram que é porque não temos documentação, então nem a nossa rua, que é de casas doadas após a enchente, está registrada na prefeitura. Até hoje quando preciso receber alguma coisa por carta, tenho que ir na agência. Uma vez cheguei a ter a minha aposentadoria suspensa porque a carta de aviso de perícia não chegou aqui em casa”, lembra Salles.
Mesmo caso de Maria Marlene dos Santos, de 60 anos. Ela guarda até hoje toda a papelada da casa, de contas de luz até o laudo de interdição da antiga residência, que foi atingida por um deslizamento de terra, como forma de provar que a casa em que vive é de fato sua.
“O registro de luz na prefeitura e alguns documentos como a interdição da antiga casa, que foi o que permitiu a gente receber um imóvel depois, são as únicas coisas que tenho. Infelizmente, não deram até hoje o nosso registro da casa, então se alguém vier aqui e disser que eu invadi alguma coisa, eu tenho algum papel que me dá direito de exigir os meus direitos”, diz Santos.
Das residências visitadas pela reportagem do Intercept, apenas o condomínio de dez casas doadas pelo Instituto Ressoar em Blumenau, no bairro Itoupavazinha, teve entrega com as construções completas e com posterior registro de posse. Na entrada há uma placa com o nome do Instituto Ressoar e do Instituto Guga Kuerten, que organizou a mobília dos imóveis, todos entregues a familiares de crianças especiais atendidas pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, a APAE do município.
Em um relatório de setembro de 2013 do Grupo de Trabalho Direito Humano à Moradia Adequada, coordenado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que analisa projetos habitacionais no país após desastres naturais, o Instituto Ressoar é citado pelo atraso na conclusão de casas para desabrigados da enchente de 2008 em pelo menos três municípios: Itajaí, Ilhota e Gaspar.
“Vinte e duas casas começaram a ser construídas pelo Instituto Ressoar, que ainda não as entregou prontas. Foi dado um prazo para recomeçar a construção até 20 de maio de 2013, porém o prazo venceu, e o Instituto não se manifestou”, expõe o relatório.
“O Ministério Público vai fiscalizar” Ao falar sobre as doações no lançamento da campanha, o então diretor do Instituto Ressoar, Ivanildo Lourenço, afirmou que o Ministério Público iria “fiscalizar a conta”. Não foi bem assim.
Três dias após o lançamento da campanha, o Ministério Público de São Paulo – onde fica tanto a sede do Ressoar quanto a agência bancária para qual foram enviadas as doações – emitiu uma nota negando que fiscalizaria a arrecadação do instituto. Uma reportagem na edição de 3 de dezembro do jornal Folha de S.Paulo informa que a Record enviou um ofício ao MP/SP pedindo a fiscalização da conta bancária, mas que a assessoria do órgão respondeu que não cabia ao MP auditar esse tipo de campanha.
Questionados pelo Intercept, nem o Ministério Público de São Paulo nem o Ministério Público de Santa Catarina souberam responder se houve controle sobre a verba arrecadada pela instituição na campanha “Reconstruindo Santa Catarina”.
Encontramos ao menos um caso de investigação pública. A Promotoria de Justiça de Timbó abriu um procedimento administrativo para apurar as obras do Ressoar no município. De acordo com o promotor Alexandre Daura Serratine, a única resposta que o MP obteve do Instituto Ressoar foi a de que eles “não tinham conhecimento de parceria com municípios de Santa Catarina”.
“Infelizmente, não havia nenhum instrumento para cobrar a responsabilidade deles. Algumas casas ficaram inacabadas e foram invadidas. A prefeitura precisou demolir, pois não havia segurança naquelas estruturas”, lamentou Serratine. O caso, segundo ele, foi arquivado porque “não havia provas suficientes para cobrar providências do Instituto Ressoar ou da Cohab”. O Intercept, porém, teve acesso a um ofício da Prefeitura de Timbó encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina, o Ressoar e a Cohab (aqui o primeiro e o segundo comunicado enviado ao MP) com uma cópia do contrato assinado pelo Ressoar, o município e a Cohab.
Depois que as construções pararam, em agosto de 2010, o município notificoutrês vezes a Cohab, sendo que a última notificação ocorreu em julho de 2017. Na resposta, a Cohab, que tinha a responsabilidade de fiscalizar o andamento das obras, diz que forneceu projeto técnico, o que foi feito, e confirma que tinha o compromisso de fiscalizar. Mas lamenta o ocorrido e diz que não tem condições de “promover efetiva fiscalização, acompanhamento e entrega das casas”. “Considerando que a Cohab não tem legitimidade para acionar nem a construtora e nem o Instituto Ressoar, para que cumpram suas obrigações, lamenta o ocorrido, porém, não tem condições de promover o efetivo acompanhamento como sugerido na notificação (da prefeitura)”, diz documento assinado pelos diretores do órgão.
A prefeitura de Timbó também notificou, em julho de 2017, a construtora Casas Ecológicas, contratada pelo Instituto Ressoar, por conta do abandono das obras, mas a empresa nunca respondeu.
A prefeitura de Indaial, que também recebeu doações, afirma que existe um contrato assinado entre o Ressoar e a Cohab. Os terrenos foram comprados pelo município com recursos da Defesa Civil do Estado e, assim como ocorreu em Timbó e em outros municípios visitados pelo Intercept, os moradores ainda não possuem escritura. Segundo a prefeitura, os documentos estão sendo encaminhados.
Já em Benedito Novo, o contrato seria entre o governo do estado, por meio da Defesa Civil, e a Cohab. “Com o Instituto Ressoar nós não tínhamos nenhum contrato, até porque a intermediação das conversas sempre era feita pela Cohab”, informou o município.
Em Jaraguá do Sul, mais ao norte do estado, há inclusive uma lei municipal que autoriza o município a conceder isenções para as construções feitas pelo programa Ressoar e a realizar “obras de infraestrutura e edificação das unidades habitacionais relativas ao Programa Ressoar, a título de contrapartida, sendo que este investimento será efetuado através de doação, mediante o caráter social do Projeto”. Lá a administração municipal também não encontrou nenhum contrato assinado pelo instituto.
Monumento em homenagem as 32 pessoas que morreram na enchente de 2008. O número pode ser ainda maior. Doze pessoas nunca foram encontradas. Foto: Eduardo Valente. Empurra-empurra Vinte e uma cidades confirmaram terem recebido doações do Ressoar. Segundo as prefeituras, os municípios doaram os terrenos e tiveram de arcar com algumas despesas, como rede de água e esgoto e energia elétrica.
De acordo com a prefeitura de Benedito Novo, a promessa inicial era de que as casas seriam de alvenaria, mas no decorrer dos trabalhos o Ressoar alterou o projeto para casas de madeira. Na época, a Defesa Civil Federal também colaborou com mais de R$600 mil para aquisição dos terrenos, e a prefeitura se responsabilizou pelas obras de infraestrutura.
“O Instituto Ressoar não finalizou o acordado. Das 29 moradias previstas, apenas 18 foram deixadas com a cobertura (telhado), faltando o acabamento interno e externo. Destas, 13 foram finalizadas e ocupadas pelos beneficiados. Os demais acabaram construindo por conta própria em outros terrenos devido a não conclusão das casas por parte do Ressoar”, informou, em nota, a prefeitura do município.
“As casas foram entregues sem janelas e forro.”
Uma assistente social de um município na Grande Florianópolis, que não quis se identificar por medo de represálias, diz que não foi possível criar vínculo com o instituto, uma vez que as tratativas ocorriam sempre com representantes distintos. “Sempre aparecia alguém engravatado e bem arrumado. Só que mudava muito, toda hora aparecia alguém diferente. Depois, começaram as desculpas de que as construtoras tinham dado golpe”, contou.
A prefeitura de Indaial informou que 20 famílias foram contempladas, mas todas tiveram que concluir os acabamentos por conta própria. Segundo o município, as casas foram entregues sem janelas e forro.
A prefeitura de Itajaí, uma das cidades mais atingidas pela enchente, afirma que enviou o cadastro de 31 famílias ao Instituto Ressoar, conforme acordo na época, mas apenas seis foram beneficiadas. “O Município de Itajaí doou ao Instituto Ressoar um terreno aterrado para construção de casas, onde seis famílias receberam imóveis mobiliados. Outras 25 famílias tiveram as informações cadastrais enviadas, porém não há registros sobre construção, conclusão ou entrega dessas casas”, informou, também em nota.
As prefeituras de Itapema, Palhoça, Rio dos Cedros, Imbituba, Luiz Alves, Itapoá, Botuverá e Guaramirim informaram que não foram contempladas com doações. As administrações municipais não souberam dizer se houve alguma promessa para essas cidades.
Apenas os municípios de Antônio Carlos, Camboriú, Piçarras, Tijucas, Nova Trento, Schroeder, Pomerode e Rodeio disseram ter recebido exatamente a quantidade de casas prometidas e que as construções foram entregues com os acabamentos. E eu… o que faço com esses números? Em 2010, o Instituto Ressoar entrou com uma ação na Justiça de Santa Catarina para rescindir o contrato com a construtora Opus Prime – Indústria, Comércio e Serviços de Construção Civil Ltda, com sede no município catarinense de Nova Erechim. O Ressoar alega no pedido inicial que teria contratado em janeiro de 2009 a construção de 100 casas com a empresa, a um custo de R$1.483.000. No entanto, apenas 38 moradias teriam sido entregues até maio do ano seguinte. O calote de 62 casas, segundo o instituto, totalizou um prejuízo de R$682.112,50.
Protocolada em maio de 2010, a queixa judicial do instituto traz outro número sobre a promessa de casas. Na apresentação dos fatos para justificar a ação, os representantes jurídicos do Ressoar citam que “já foram entregues 316 casas e mais 157 unidades estão em fase de construção”.
A soma de casas a serem entregues, de acordo com o documento, seria de 473 unidades, número bem abaixo das 697 unidades prometidas no site do instituto um ano antes.
O caso tramita na 1ª Vara Cível de Itajaí, ainda sem sentença do juiz responsável. A empresa consta atualmente como inativa na Receita Federal. O Intercept tentou contato com o proprietário da Opus por e-mail, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.
Do Limpinho e Cheiroso