sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Em entrevista ao EL Pais, o ex-jogador Juninho Pernambucano criticou a Globo e dispara “Sofri censura ao vivo na TV. Nenhum jornalista me defendeu”

Juninho Pernambuco saiu da Globo

Juninho Pernambucano, quando ainda era comentarista do grupo Globo. DIVULGAÇÃO


Na primeira entrevista após deixar a Globo, o ex-jogador reitera críticas à imprensa e conta como o futebol ajudou a despertar sua consciência política.


Heptacampeão francês pelo Lyon e ídolo do Vasco, o ex-meia Juninho Pernambucano acaba de se mudar para os Estados Unidos. Estabelecido em Los Angeles, tomou a decisão de respirar novos ares pela família. Aos 43 anos, está prestes a se tornar avô e vai acompanhar de perto as últimas semanas de gravidez da filha mais velha, Giovanna. Ele explica que a saída do Brasil não foi motivada pelo rompimento de contrato com a Rede Globo, onde era comentarista de futebol desde 2014. Em entrevista ao EL PAÍS, Juninho reclama ter sofrido censura na emissora por questionar o trabalho da imprensa, especialmente o dos setoristas. “Até o episódio da minha saída, seria injusto dizer que eu fui impedido de falar”, afirma. No fim de abril, durante o programa em que opinou que os jornalistas que cobrem os clubes “são muito piores hoje em dia”, a direção de jornalismo do SporTV, canal fechado de esportes da Globo, emitiu uma nota oficial condenando os comentários do ex-jogador.

Além da reprimenda lida ao vivo, que o levou a pedir demissão, ele conta que já havia acumulado desgastes com companheiros de emissora (leia a resposta da TV no fim da entrevista). “Discussões pesadas, de apontar o dedo na cara e tudo mais. Só não teve vias de fato.” Apesar de ostentar um diploma em gestão pela UEFA, Juninho não manifesta interesse em atuar nos bastidores do futebol. Por enquanto, seu único plano é passar uma temporada aprimorando o inglês e, ainda que à distância, se manter ativo no debate político nacional.

Pergunta. O futebol está em seu horizonte nessa nova etapa no exterior?
Resposta. Depois que saí da Globo, eu fiquei pensando no que fazer. Ainda não achei um caminho. Não me sinto pronto nem com vontade de voltar ao futebol.

P. Nem como dirigente?
R. Recebi uma proposta do Lyon, mas preferi esperar. Tenho capacidade para ser dirigente, só que, pela bagunça total no Brasil e pelo que conheço da imprensa, não faria isso agora. Joguei futebol por 20 anos. Sempre tive na cabeça que não poderia precisar de ninguém depois que eu parasse. Para não correr o risco de vender minha alma e meu caráter, só gastei 30% do que ganhei como jogador. Me preparei para isso. Investi 70% dos meus rendimentos.

P. Nem como comentarista?
R. De jeito nenhum. Perdi a confiança na imprensa.
P. Por causa do episódio com a Globo?
R. Tá gravando? Pode gravar, porque eu falo pra caramba. O que aconteceu foi o seguinte… Quando fui pra imprensa, me assustei com o desconhecimento generalizado. O futebol mudou muito. Chegaram a ciência, a nutrição, a psicologia, a análise de desempenho… Hoje o jogador corre muito mais, tem mais músculos, reage mais rápido. O espaço no campo ficou reduzido. Só que a imprensa ainda não entendeu essa evolução. Ela se agarra ao saudosismo: “Ah, mas no tempo de fulano era assim”. Não são todos, mas a maioria dos jornalistas desconhece o jogo.

“A imprensa oprime o jogador. Quer que ele seja visto apenas como um marginal, um ignorante”

P. Desconhece em que sentido?
R. Grande parte da imprensa joga contra a evolução do futebol. Eles [jornalistas] precisam da gente, os ex-jogadores, para complementar o que não conseguem enxergar. Fui censurado na Globo por denunciar que tinha setorista vendido, que se envolve com sacanagem. É o setorista que pauta o noticiário, porque cobre de perto os jogos e treinamentos. Quando ele se prostitui, fode o ambiente no clube. É preciso combater o que tá errado lá embaixo na cadeia de produção do jornalismo para pautar coisas mais sérias. E aí, em pleno ano de 2018, sofri censura ao vivo na TV. Nenhum jornalista me defendeu. Pelo contrário, ainda fui humilhado pelo Milton Neves [apresentador da Band], que deu uma tuitada me ridicularizando. Antes, já tinha recebido ameaças de torcedores. Se eu fui censurado e ameaçado, significa que toda a imprensa também foi, meu amigo. E ninguém compreendeu isso, talvez por ignorância ou medo de perder o emprego.
P. Antes da crítica aos setoristas, você foi impedido de falar na emissora?
R. No fim de 2013, quando já tinha planos de parar de jogar, me ligaram da Globo perguntando se eu estava disposto a comentar a Copa de 2014. Respondi que me interessava. Mas, se ainda estivesse jogando futebol, não faria. Aí parei de jogar e assinei contrato de um mês com eles. Renovei por mais dois anos. Depois, mais três. Meu contrato iria até o fim do ano que vem. Durante esse período até o episódio da minha saída, seria injusto dizer que eu fui impedido de falar. Mas briguei com os três principais narradores e o principal repórter da casa. Briga grande, discussão pesada, de apontar o dedo na cara e tudo mais em reuniões. Só não teve vias de fato. Queria dar minha opinião e não aceitavam. Diziam que eu falava muito, que interrompia demais. Balançavam a cabeça achando ruim se eu me alongava no comentário durante a transmissão. Sofria pressão por querer dizer o que penso. Mas me contrataram para dar opinião. Eu criticava quem tivesse que criticar. Enquanto a Globo me deixou trabalhar, fiz minha parte. Saí de consciência limpa. Não vendi minha alma nem meu caráter.
P. O clima, então, já não era dos melhores, certo?
R. A relação azedou quando eu critiquei o Vinicius Junior [após um clássico contra o Botafogo]. Fui ameaçado de morte pela torcida do Flamengo, dei queixa na delegacia. Esperava um suporte, mas não recebi apoio de ninguém na emissora. A partir dali a coisa não ficou legal. Como já estava tudo esquematizado para eu ir pra Rússia, não quis deixar os caras na mão. Mas eu abandonaria o barco depois da Copa.
P. Ter passado por um constrangimento no ar antecipou a ruptura?
R. Aquela nota interrompendo o programa [Seleção SporTV] para me censurar partiu de um diretor covarde, que eu ainda não sei o nome. Foi a gota d’água. Na mesma semana, decidi não prestar mais serviços à Globo e pedi para sair.
P. Acredita que o fato de ter manifestado publicamente suas posições políticas interferiu no desgaste com a Globo?
R. Eu espero que não, mas, provavelmente, sim. Durante a Copa do Mundo, a Globo soltou um comunicado pedindo para que os funcionários tivessem cuidado com os posicionamentos políticos em redes sociais. Acho que, a partir do momento em que você tá em casa, a vida é sua. Você posta o que quiser. Jornalista que abre mão de rede social a pedido do patrão, indiretamente, vende seu caráter ao chefe.
P. O que mais te decepcionou em sua passagem pela crônica esportiva?
R. A falta de humildade dos jornalistas. Gostam de ironizar ex-jogador por cometer erro de português, mas a gente agrega outro tipo de conhecimento, velho. Sabe qual é a diferença do atleta para o jornalista? É que nós aprendemos desde criança que existe alguém melhor que a gente. Quando entramos pra jogar, pensamos: “Caralho, aquele cara ali é bom, hein?”. Aprendemos a respeitar nosso adversário. Posso até odiá-lo, mas nunca vou desejar que desapareça, porque eu preciso dele para ser melhor. O jornalista não tem essa capacidade porque nunca entrou em campo. Não tenho a escrita, o vocabulário ou o estudo do jornalista, mas tenho outra visão de mundo. Foi muito feio observar de perto essa soberba. Como que alguém que nunca pisou num gramado pode ter tanta certeza de uma coisa? Passei a vida inteira sendo criticado. Me disseram coisas absurdas na época em que eu jogava e continuo vivo. Por que não posso criticar a imprensa?
P. Suas ressalvas vão além da questão com os setoristas dos clubes?
R. Como é que a imprensa deixou o Eurico Miranda ficar tanto tempo no poder? Em 2015, ele renovou o contrato do Vasco com a televisão. Quando a Globo adianta a verba dos direitos de transmissão, ela presta um desserviço ao futebol, porque não ensina o dirigente a administrar o dinheiro. E aí os clubes caíram num buraco. Mas gostam de ficar enganando o torcedor dizendo que a solução é trocar técnico, tirar jogador, contratar não sei quem… Eu não sirvo pra enganar torcedor. Times como o Vasco precisam de um trabalho sério, de longo prazo, sete a dez anos, para aspirar alguma mudança definitiva. E o que acontece? Quando perde, sai matéria detonando tudo, em vez de aprofundar nas causas. Outro negócio que me chocou: fazendo Campeonato Estadual, os caras não falam o nome dos jogadores de time pequeno. Parece que o time grande joga contra um fantasma. Quando eu ia comentar jogo do Volta Redonda, por exemplo, ligava pro assessor do clube para pegar informação de todos os jogadores, o esquema tático do técnico. Se o fulano joga bem, preciso saber o nome dele pra elogiar. Ou pra criticar, se jogar mal. Essas situações que observei me entristeceram para caralho.
P. Você não se via em conflito interno por trabalhar num lugar tão diferente de suas visões?
R. Não adianta pagar caríssimo pelo campeonato se você não protege o espetáculo. Eu brigava por isso lá na Globo. Queria mostrar pra eles que um calendário melhor deixaria o produto deles melhor. Tem jogo quarta e domingo no Brasil, porra. Ninguém aguenta. Está tudo associado ao dinheiro. Atleta não é máquina. Pra jogar bem, ele precisa se recuperar. Não pode ter jogo do Campeonato Brasileiro em data FIFA. E a falta de conhecimento da imprensa sobre esses detalhes me espantou. Todo mundo evoluiu. Por que a imprensa não pode evoluir? A análise ainda se resume a eleger o herói e o vilão. Isso é muito perigoso. Olha o recado que passam para a sociedade: ou você é craque ou você é um merda. Por que às vezes o atleta brasileiro amarela? Porque sabe que vai ser massacrado quando perder. Cria-se o pavor da derrota, que influencia no rendimento. O torcedor entra nessa lógica, quer saber quem foi o culpado.

“Me revolto quando vejo jogador e ex-jogador de direita. Nós viemos de baixo, fomos criados com a massa. Como vamos ficar do lado de lá? Vai apoiar Bolsonaro, meu irmão?”

P. Certa vez, você disse que o Renê, lateral do Flamengo, só era criticado por ser nordestino, e esse comentário gerou bastante repercussão...
R. Quando cobram 180 reais num ingresso, quem tá no estádio é outro tipo de público. Os jogos do Flamengo hoje são feitos pra quem mora na Zona Sul e na Barra da Tijuca. Tenho embasamento para falar do Renê. Quem são os jogadores que a torcida do Flamengo mais pega no pé? Muralha, que tinha um corte de cabelo todo diferente. Márcio Araújo, negro. Rodinei, que, de forma absurda e desrespeitosa, é chamado de “porca gorda”. Pará e Renê, que vieram das regiões Norte e Nordeste. Como comentarista, percebi que já havia uma campanha dos torcedores contra o Renê, mas, em campo, eu não via um desempenho tão ruim. Pelo contrário. Ele é um dos melhores laterais marcadores do Brasil. E o time não perde só por causa de um cara. Outros jogadores, que tinham performance abaixo, eram analisados de maneira diferente. Mas isso faz parte da nossa cultura elitista. E o próximo da lista será o Vitinho, que também é negro. O inconsciente toma conta. Só falam de quanto ele ganha e quanto custou, mas ninguém leva em consideração que o cara veio da Rússia e vai demorar a se readaptar. “Ah, mas ganha bem pra isso”. Porra, é ser humano. Sabe de onde ele veio? Sabe com foi a infância dele, tudo que ele viveu pra chegar até aqui?
P. Na época, o Flamengo emitiu uma nota dizendo que sua torcida não é racista.
R. Claro que a torcida do Flamengo não é racista, velho. Mas uma parte da torcida que paga 180 reais pra ir no jogo é racista sim, assim como parte da torcida do Vasco e de outros times grandes. Como pode um torcedor do clube que aceitou os negros, onde os operários construíram o próprio estádio, ser racista? O cara é torcedor de time popular. Como pode ser fascista? Isso é doença. Só pegam no pé dos mesmos. Se apaixonam por jogador que não tem muito valor técnico, mas uma aparência melhor. Eu vim do Nordeste, pô! Sei bem como é.
P. Sofreu muitas críticas preconceituosas?
R. Todo mundo passa por isso, meu amigo. Quem joga futebol escuta muita coisa preconceituosa, dentro e fora do estádio, incluindo a análise da imprensa. Não se faz a crítica técnica, mas humilhando o jogador. Tem que ter limite na hora de criticar. O cara tem família, os filhos vão pra escola, ouvem um monte de besteira. A pressão é muito grande. O Alex conta que o pai dele passou mal de tanto ouvir crítica do Galvão Bueno na TV. É algo que se repete.
P. Enxerga certo preconceito de classe na crítica da imprensa aos jogadores?

R. Existe o preconceito, mas também o interesse em marginalizar o atleta. A verdade é que a imprensa oprime o jogador. Quer que ele seja visto apenas como um marginal, um ignorante. Não sou formado em nada. Mas eu nasci em Recife, cheguei ao Rio com 19 anos, morei oito anos na França e dois no Catar, mais seis meses nos Estados Unidos. Visitei mais de 40 países jogando futebol. Será que a vida não me ensinou outras coisas? Sabe por que o atleta homossexual não se assume? Porque ele tem medo da repercussão na imprensa. Medo de ser humilhado. Outra coisa que sou totalmente contra: entrevista na beira do campo. Jogador tem que ir pro vestiário, tomar banho e esfriar a cabeça. Naquele momento, ele não está em sua plenitude de sobriedade. No calor da emoção, o que o cara diz ali, depois de 90 minutos de esforço intenso, pode sair do contexto ou não ser o que ele realmente queria dizer.
P. Por que tão poucos jogadores se posicionam politicamente?
R. A carreira do jogador é curta. O futebol exige tanta dedicação que você acaba se alienando. Entendo o atleta que ainda está jogando e prefere não se posicionar. Mas o ex-atleta que tem uma boa qualidade de vida não falar nada sobre a situação do país é inadmissível.
P. Foi por isso que você passou a se posicionar mais após a aposentadoria dos gramados?
R. Minha consciência política e minha responsabilidade como cidadão se desenvolveram muito mais depois que parei de jogar. Antes, quando aparecia notícia de que um político tinha morrido, eu dizia: “Menos um pra roubar”. Aprendi as coisas lendo, viajando o mundo e observando como tudo funciona para emitir minha opinião. Mas é claro que o jogador jovem, que não é amigo de jornalista e não tem ninguém pra protegê-lo, vai ser engolido ao se posicionar. Acaba evitando gastar energia com isso para se concentrar no seu ganha-pão.
P. A passagem pela França ajudou a amadurecer sua consciência política?
R. O que me despertou para a política foi o lado humano dos franceses. Eu pensava que o brasileiro era solidário. Enchia a boca pra dizer isso. Mas que mentira, velho. O francês é solidário para caralho. Tem os extremistas, a parte que despreza os muçulmanos, racista. Mas a maioria do povo francês é humanamente evoluída. Vi jogador mais novo receber proposta para ganhar o dobro em outro clube e recusar porque era da cidade, não queria sair de lá. E eu não entendia. Só olhava pelo lado financeiro. Essa era minha mentalidade. Vi também jogadores que saíram de países muito mais pobres que o nosso, em guerra civil, terem mais respeito ao próximo e educação que a gente. Nós somos muito gananciosos. Só sei disso porque morei fora do Brasil. O futebol me ensinou a enxergar o mundo. Quem salvou minha vida foi o futebol.
P. Se refere à ganância do brasileiro em geral?


Juninho e a família, em Los Angeles.
Juninho e a família, em Los Angeles. ARQUIVO PESSOAL

R. Olha, quem tem dinheiro vivo, lucra com essa situação caótica do país, com o dólar nas alturas. Eu joguei 10 anos fora do país, recebendo em moeda estrangeira, só gastei 30% do que ganhei, tudo declarado, certo? O patrimônio que tenho investido lá fora só aumenta. Como o povo está feliz com esse sistema se ainda tem criança morrendo de fome no país, pô? Isso é injusto! A classe mais rica precisa de sensibilidade. Todos nós, brasileiros, gostamos de dinheiro. Mas, quando a ganância cresce demais, a distância para os mais pobres fica muito grande e a violência dispara. A riqueza não pode ficar na mão de poucos. É egoísmo. E tudo começa na linha de largada. Eu luto para que as oportunidades não fiquem só na mão de quem já tem privilégios. Como vamos falar de meritocracia? Meritocracia existe no esporte, onde treina todo mundo junto e o melhor tem que jogar. Mas, num país como o Brasil, não dá pra falar em meritocracia. Uma minoria larga bem à frente e quer exigir que os retardatários sejam alguém na vida. Essa corrida nunca vai ser justa.
P. Você se reconhece como privilegiado nesse sistema?
R. Eu ganhava 60 paus lá na Globo pra trabalhar duas vezes por semana. Já estou em uma boa condição. Poderia ficar calado, feliz da vida e levando vantagem, já que o sistema só está me ajudando. Mas que felicidade é essa? O brasileiro perdeu a autoestima, anda de cabeça baixa na rua. Tem uma molecada aí de 20, 30 anos que ainda mora com os pais e passa o dia inteiro na frente da TV, uma geração desiludida. Não é esse o país que eu quero para minhas filhas.
P. Viver numa casa com quatro mulheres também influencia sua visão de mundo?
R. Reconheço que ainda sou um machista em desconstrução, porque foi a educação que recebi. Aceito essa condição para poder evoluir. Aprendo todo dia com minhas filhas, vendo a luta das mulheres para ter direitos iguais no Brasil.

“O que as pessoas odeiam no Lula é a aparência, a origem, o sotaque, a história e a popularidade”

P. Assim como ex-colegas do futebol, você tem planos de entrar para a política?
R. Ainda não sei. Estou esperando a vida me mostrar o que devo fazer. Nunca me envolvi com nenhum político, nunca fiz campanha pra ninguém. Conheci o Lula pessoalmente quando o Brasil jogou contra o Haiti, em 2004. Ele foi lá, agradeceu a gente e deu uma carta para cada um. Foi a única vez que estive com ele. Eu o admiro muito. Ninguém vai apagar o que ele fez por esse país. O Lula é um senhor de 72 anos que está sendo massacrado. Por que as pessoas odeiam o Lula? O que odeiam nele é a aparência, a origem, o sotaque, a história e a popularidade. Se fizer um teste de ódio nas ruas, colocando um boneco do Lula ao lado de um do Aécio, vai sobrar para o Lula. Nem se compara. A elite exerce um domínio mental. Funcionário usar roupa branca na sua casa, uma coisa do tempo da escravidão. Como tenho boa condição, eu vivia entre os bacanas, morava em condomínio de rico. E via o pai passando esse ódio pro filho, uma coisa surreal.
P. Como analisa o cenário político no Brasil nesses últimos anos?
R. Nossa democracia é muito jovem, mas o básico seria entender que o voto tem peso igual. Negro, branco, pobre, rico: nenhum voto vale mais que outro. O problema é que, depois de tanto tempo de esquerda no governo, o desespero pela retomada do poder cegou algumas pessoas. Precisou de quantos para tirar a Dilma? Aécio, Eduardo Cunha, Temer e… A imprensa, pô! Rasgaram nossos votos e nos levaram a esse terror. Que tirassem a Dilma agora, nas urnas. Por pior que estivesse o país, não chegaria nessa situação, em que um extremista é cotado à presidência. Pode escrever aí: a grande mídia vai apoiar o Bolsonaro se ele for pro segundo turno.
P. Algumas personalidades do futebol também, não?
R. Muitos brasileiros ignoram que outros foram torturados e assassinados na ditadura. É desesperador ver gente apoiando intervenção militar. O Exército existe para defender o país, proteger as fronteiras, não para matar brasileiro na favela. Eles não foram treinados pra isso. Dizem que eu defendo bandido. Mas a gente tem que parar com essa história de achar que todo crime é igual. Uma coisa é assassino, outra é o cara que rouba. Não posso colocar um jovem de 18 anos que roubou num presídio. Ali é categoria de base para o crime. Quando o cara sai, ele quer se vingar da sociedade. Por isso que eu me revolto quando vejo jogador e ex-jogador de direita. Nós viemos de baixo, fomos criados com a massa. Como vamos ficar do lado de lá? Vai apoiar Bolsonaro, meu irmão?
P. Por envolver a paixão, o meio do futebol é um terreno fértil para a intolerância. Como fez para se blindar desse ambiente, sobretudo jogando em outros países?
R. Uma das minhas filhas nasceu em Recife, as outras duas, em Lyon. Minha neta vai ser filha de nordestina com americano descendente de chineses. Será que não tem diversidade na minha família? Sou um cidadão do mundo. Não posso ser intolerante com as diferenças. A única ressalva são os extremistas. Será que um cara que crê na existência de “raças humanas” e propaga discurso de ódio merece a democracia?
P. Nota paralelos entre o futebol e a política?
R. O futebol está tão perdido quanto o Brasil. A diferença é que o futebol ainda tem o talento a seu favor e pode demorar menos para sair do buraco.
Fonte:EL Pais
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Ciro Gomes sobre a Globo: ‘nunca mais piso nesse lugar’ depois da emissora ter ajudado o farsante Doria em ação

Ciro Gomes (PDT), candidato à Presidência da República, durante debate entre presidenciáveis na TV Globo – 04/10/2018 (TV Globo/Reprodução)
Ciro Gomes (PDT), candidato à Presidência da República, durante debate entre presidenciáveis na TV Globo – 04/10/2018 (TV Globo/Reprodução)
Reportagem de Luisa Bustamante e Fernando Molica na Veja informa que o candidato Ciro Gomes, do PDT, esbravejou contra a TV Globo na sala de imprensa da emissora, no Rio, ao final do debate presidencial da noite de quinta-feira (4).
De acordo com a publicação, ele se queixava da emissora por, segundo relatou, ter autorizado a entrada de um oficial de Justiça em seu camarim para notificá-lo sobre uma ação movida por João Doria, candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB, a quem chamou de “farsante” em diferentes ocasiões.

Vejam tambem  César Tralli é xingado no debate da Globo e causa na web após proteger Doria e o PSDB em troca de publicidades do eventual governo
Como Ciro não foi até o camarim ao final do debate, o oficial seguiu atrás dele na sala onde haveria a entrevista coletiva. A ordem da Justiça determinava que o candidato fosse citado na Globo. Ao fim da coletiva, Ciro foi alcançado pelo oficial, que começou a ler a notificação. Apoiadores do pedetista empurraram o profissional, que acabou não conseguindo entregar o documento. “Nunca mais piso nesse lugar”, disse Ciro, antes de deixar a emissora, completa o site da revista.
Do DCM




quinta-feira, 4 de outubro de 2018

César Tralli é xingado no debate da Globo e causa na web após proteger Doria e o PSDB em troca de publicidades do eventual governo

cesar tralli debate são paulo globo
Crédito: Reprodução/TV GloboCésar Tralli foi ofendido durante o debate de governadores de São Paulo na Globo
César Tralli foi insultado durante o debate entre os candidatos ao governo de São Paulo na Globo, na noite da última terça-feira, 2.
O apresentador, que comandava as discussões, se exaltou com a plateia, depois de ter negado um pedido de resposta de Luiz Marinho (PT), e de Marcelo Cândido (PDT), após uma declaração de João Doria (PSDB).
“Silêncio, plateia, por favor. Não houve ofensa pessoal. Por favor, silêncio na plateia. Estamos encerrando aqui mais um bloco, todos os candidatos perguntaram. Por favor, voltem aos seus lugares”, disse o apresentador, sob os gritos da plateia.
O jornalista não teve seu pedido atendido e voltou a falar com a plateia, já em tom exaltado: “Silêncio, por favor? Não houve ofensa. Não houve ofensa. Nós vamos continuar com o debate”.
Enquanto Tralli tentava explicar a situação, um homem da plateia chamou o marido de Ticiane Pinheiro de “sem vergonha”.
O momento rendeu assunto nas redes sociais. Confira a repercussão:

Alef de Lima on Twitter

O Tralli batendo boca com a plateia #DebateSP https://t.co/arE04YNbuT

Spinelli on Twitter

Única treta de verdade até agora foi do Tralli com a platéia

1️⃣2️⃣% de rejeição segundo o datafolha on Twitter

ENQUADRARAM O CESAR TRALLI BICHO

Ricardo S on Twitter

Tão chamando o Tralli de sem vergonha na platéia. AGORA FICOU BOM #debateSP

Chico Barney on Twitter

Cesar Tralli é uma figura paterna carinhosa, porem severa. #Eleicoes2018

Mordomo Eugenio on Twitter

Tralli é lu patinadora mas tb é pau na mesa mano #DebateSP

Leandro Leite on Twitter

Dória chamou o Marcelo Cândido de criminoso e o Tralli disse que não houve ofensa. Tá bom! #DebateNaGlobo
DO catraca livre

Abaixo o candidato Marinho denuncia a baixaria da Globo para apoiar o candidato dela
Relembre Aqui a manipulação do debate da Globo em 1989

Professoras que estudaram 200 edições do Jornal Nacional mostram como cena de avião marcou operação de “silenciamento” do preso político Lula

Da Redação vio Mundo
Ângela Carrato é jornalista e professora do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Eliara Santana, também jornalista, doutoranda em Estudos Linguísticos pela PUC Minas/Capes.
Desde janeiro, quando o Tribunal Regional Federal da 4.a Região (TRF-4) condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, elas estão debruçadas sobre as edições diárias do Jornal Nacional, da Rede Globo.
Objetivo: observar os movimentos de produção de sentido e a construção de estratégias discursivas para compreender como seriam trabalhadas em um ano eleitoral no cenário pós-golpe.
Aa duas pesquisadoras já analisaram mais de 200 edições do JN, e observaram que:
*A partir do período inicial do julgamento, houve exposição crescente e diária do ex-presidente, sempre no quadro da corrupção.
*Em abril, com a prisão, detectaram movimento oposto: o silenciamento, apagando Lula não apenas do noticiário, mas da vida política brasileira.
Se antes a superexposição visava mostrar que tudo de ruim era culpa da política e dos políticos, agora a ausência de Lula objetivava reforçar um candidato de extrema-direita, fascista, que “não é político”, mesmo estando na política partidária há quase três décadas.
*Em junho/julho, com a proximidade das eleições e a subida crescente de Lula nas pesquisas de intenção de voto, há um novo movimento nas edições diárias do JN: o ex-presidente reaparece no noticiário, mas sempre em matérias enviesadas pelo tema corrupção.
Uma imagem que retrata bem esse movimento do JN é a imagem no topo deste post.
Toda vez que William Bonner ou Renata Vasconcelos fazem menção a Lula e ao PT aparece, ao fundo, essa imagem vermelha, com um duto de esgoto do qual saem notas de dinheiro.
Para as pesquisadoras, uma associação simbólica gravíssima, porque toda vez que o PT colocar suas bandeiras vermelhas em cena, o telespectador vai associar à corrupção.
Ângela Carrato e Eliara Santana divulgam, com exclusividade ao Viomundo, os resultados iniciais do estudo em andamento.
Eles serão apresentados em quatro atos.

ATO 1: SILENCIAMENTO DE LULA, O CANDIDATO INDESEJADO
por Ângela Carrato e Eliara Santana*, especial para o Viomundo
CONTEXTO
Desde janeiro de 2018, quando iniciamos esta pesquisa, já analisamos mais de 200 edições do Jornal Nacional à procura de padrões que pudessem indicar o comportamento da cobertura jornalística do principal veículo da Rede Globo, como ator que se posiciona no campo político, na disputa de poder.
O nosso estudo não avalia apenas os elementos objetivos — duração das matérias, pertinência das fontes ouvidas, presença do contraditório.
Atenta também ao que é dito, como é dito, por quem é dito, pois são aspectos igualmente importantes numa análise com esse perfil.
Vale dizer: entonação de voz, fisionomia da pessoa, vestuário, contexto em que a pessoa fala, cores predominantes na cena, entre outros detalhes. Tudo isso importa e muito.
É importante observar, ainda, que pesa muito o modo como as informações/notícias são organizadas e apresentadas para os telespectadores.
O resultado dessa empreitada é que pudemos verificar, na análise, que há padrões internos claros na cobertura, bem como mudanças estratégicas neles, de acordo com o cenário e as ênfases que a edição pretenda dar.
A mídia, em especial a televisiva (principal fonte de informação do brasileiro, em que se destaca o Jornal Nacional, com cerca de 70% de audiência), é um poderoso elemento que atua na forma como as pessoas passam a perceber a realidade.
Percepção que se torna fundamental para, num momento seguinte, se posicionarem sobre essa mesma realidade.
Ressaltar esse aspecto é essencial, tendo em vista a divergência reinante entre os estudiosos da mídia.
De um lado, aqueles que defendem que a mídia manipula a compreensão do público sobre os fatos, valendo-se para tanto de várias técnicas, entre elas o agendamento (agenda setting).
De outro, os que defendem que o público tem autonomia e outras fontes de informação, sendo assim capaz de formar julgamento próprio (as teorias sobre deliberação).
Os defensores da segunda visão estariam menos equivocados se no Brasil existissem, efetivamente, fontes plurais de informação (em especial também uma mídia pública) e não um monopólio comercial de mídia.
Estariam menos equivocados se existisse aqui uma educação de qualidade para todos e uma população plenamente — e não apenas funcionalmente — alfabetizada, como acontece em países da Europa ou mesmo nos Estados Unidos.
Nesse esforço analítico a que nos propomos, delineamos, nesse período de nove meses, algumas estratégias na cobertura do JN, bem como padrões que se consolidaram.
A edição dos telejornais brasileiros, em especial o JN, utiliza um recurso que segue a mesma lógica das novelas (tão apreciadas no País) e das séries.
Um assunto começa num dia e se prolonga por vários “capítulos”.
O que aconteceu num “capítulo” acaba tendo influência em outro.
No entanto, ao contrário das novelas, onde um personagem não pode desaparecer por muito tempo, nos telejornais, a presença de personagens e dos temas a eles ligados não segue essa lógica.
Em outras palavras: nos telejornais, onde deveria haver espaço para recortes de um dado real, tem predominado mais ficção — compreendida aqui como reconstrução enviesada do real — do que nas próprias novelas.
A CONSTRUÇÃO DE CENAS
Há movimentos bastante precisos e coordenados em relação às edições do jornal nesse período (que denominamos ATO 1), com um enquadramento muito bem construído a partir dos temas (assuntos principais em destaque), da qualificação dos atores e da construção da cena enunciativa.
É preciso ficar bem claro que o JN não está fazendo (se é que algum dia efetivamente fez) puramente jornalismo.
Ele está tentando criar um repertório coletivo, recorrendo à memória discursiva, modalizando o dizer, com estratégias muito bem construídas do ponto de vista discursivo, para substituir a percepção e a memória que os telespectadores têm dos fatos.
Dito de outra forma: o JN está tentando reescrever a história do Brasil, de acordo com os interesses da família Marinho e da elite dominante brasileira (e de seus apoiadores externos).
Esses aspectos são fundamentais para podermos mostrar como, enfim, a discussão de temas relevantes no cenário nacional é circunscrita no e pelo JN, visando a determinadas interpretações e problematizações.
Afinal, o que está circunscrito opera dentro de quadros e enquadres limitados, delineados, produzindo determinados sentidos.
Há acontecimentos relevantes que são redimensionados pelo JN, bem como assuntos que são trazidos à cena para ocultarem ou silenciarem outros.
Por exemplo, a cobertura na semana do julgamento do habeas corpus (HC) à prisão do ex-presidente Lula.
Durante esse período, a cena enunciativa construída no JN projeta uma instância plural, tendendo à neutralidade, atenta à veracidade dos fatos, com foco em temas variados e que contemplam todo o conjunto da sociedade.
Desaparecem os grandes temas POLÍTICA e ECONOMIA.
Tudo gira em torno de questões técnicas (relativas à prisão, ao julgamento).
Alguns aspectos se destacam:
1. Reforço a questões técnicas — o discurso cumpre a função de mostrar que não há um viés determinante no JN.
Há fatos e aspectos técnicos que demonstram esses acontecimentos, e todas essas percepções são mostradas por vozes de autoridade — o jornal não fala.
2. Edições num esforço de equilíbrio, projetando um ethos de neutralidade.
3. Reforço à ideia de justiça para todos, justiça acima de interesses desse ou daquele partido — a grande justiça que está sendo feita é apartidária.
4. Ideia de que a Globo não é contra a justiça — mas a quer para todos.
5. Há um tom sóbrio e de neutralidade.
6. O julgamento do HC pelo STF (4 de abril), a determinação do juiz Sérgio Moro (de cumprimento da prisão menos de 24 horas depois da decisão do STF) e a prisão de Lula são enquadrados pelo aspecto das tecnicalidades: é preciso explicar o que aconteceu e mostrar às pessoas que se trata de um caso comum de detenção, analisado sob um ponto de vista estritamente técnico.
7. Tal enquadramento não contempla a política. Tudo se resume à técnica, à adequação à justiça.
8. Cobertura a-histórica: não há nenhuma recuperação do que foram os governos Lula (2003-2010). A historicidade é apagada da cobertura.


SEM O FINAL ESPERADO
Foi a partir de uma chamada do Plantão JN, no final da tarde de 5 de abril, que a maioria da população tomou conhecimento de que o juiz Sérgio Moro acabava de decretar a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A notícia, lida de forma sóbria por uma das apresentadoras do JN, Renata Vasconcellos, com a câmera destacando seu rosto e sua camisa alvíssima (veja acima), remetia simbolicamente a uma ideia de purificação, limpeza.
Imagem que visivelmente contrastava com a “sujeira” contida nas centenas de matérias feitas nos últimos anos pelo JN, denunciando corrupção e atribuindo-a ao PT e aos seus integrantes, sempre ilustradas por um grande tubo de esgoto, com fundo vermelho, por onde saía todo o dinheiro ilícito.
A construção das cenas, portanto, não é apenas o quadro para a TV, é uma construção de uma cena para enunciar, para dizer de determinado modo, conduzindo a interpretação do espectador.
As cenas são fortemente marcadas por elementos simbólicos (o duto, de um lado; a roupa alva, de outro) que estarão sempre na memória do espectador. E são elementos que aparecem reiteradamente, em quase todas as edições.
A decisão de Moro dominou toda a edição do JN.
Ênfase especial foi dada às condições determinadas por ele para a prisão, lidas com destaque:
“Em respeito ao cargo que ocupou, o ex-presidente deve se entregar até às 17 horas do dia seguinte”; “não serão usadas, em hipótese alguma, algemas” e “ele terá uma cela individual na sede da Polícia Federal, em Curitiba”.
O tom anunciado e que se confirma na matéria é o de pintar o juiz com as cores da benevolência, civilidade, respeito aos direitos.
E isso é marcado pelo verbo que descreve a ação do juiz – Moro CONCEDE O DIREITO A LULA…
Essa ideia perpassa toda a matéria, pois há a descrição dos inúmeros benefícios concedidos a Lula pelo juiz.
A matéria também faz um histórico da decisão do STF sobre o pedido de HC e leem com destaque o ofício de Sérgio Moro.
Não há comentários sobre a rapidez no pedido de prisão.
Há uma descrição detalhada dos benefícios concedidos a Lula, como o banho de sol mais longo e a sala individual e com chuveiro elétrico funcionando.
Na descrição da sala, fazem uma comparação com a situação de outros presos — que não têm essas “regalias”.
Mostram-se as manifestações favoráveis a Lula, em todo o Brasil, bem como depoimentos de vários políticos em Brasilia sobre o pedido de prisão.
Bonner arremata para projetar o ethos de um jornalismo plural — lê uma nota afirmando que a Globo cobre todos indistintamente.
A matéria tem um tom marcadamente sóbrio, descrevendo as ações e os acontecimentos.
A repetição dessas condições, ao longo da edição do JN, acabou funcionando como uma espécie de denúncia de privilégios que Lula, mesmo numa situação extrema, continuava gozando.
A edição do JN do dia seguinte, 6 de abril, trouxe como destaque a não apresentação de Lula e o encerramento do prazo dado a ele por Moro.
Novamente são construídos dois campos de sentidos: Moro, o benevolente, o que concede benefícios, e Lula, o infrator, aquele que descumpre até ordem de prisão.
Havia uma expectativa de que o JN fizesse, no sábado, 7 de abril, uma edição apoteótica, uma espécie de coroação do combate que há anos vinha empreendendo, “em nome da moralidade pública”, contra o PT e os seus integrantes.
A prisão do ex-presidente tinha os ingredientes para ser apresentada ao respeitável público como o ponto final para Lula, o lulismo e o PT.
Mas a cobertura da apresentação de Lula, chamada pelo JN de “entrega”, ficou muito distante do “grand finale” pretendido.
Uma multidão se aglomerou no entorno da sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, para onde Lula se dirigiu e permaneceu antes de se entregar.
Isso ressaltava simbolicamente a resistência e o grande apreço por um líder político, destoando de possíveis imagens que remetessem ao ostracismo de alguém acuado e rechaçado pela população.
Daí a emissora ter preferido veicular apenas imagens em planos fechados, totalmente diferentes daquelas em que Lula era carregado em meio a um mar de gente, exibidas nos principais sites brasileiros e em jornais internacionais.
Não passou despercebido aos olhares mais atentos que, naquela edição, a imagem que permaneceu mais tempo no ar foi a de um pequeno e defasado avião monomotor Cessna Caravan, da Polícia Federal, que decolou de São Paulo, rumo a Curitiba, levando um ex-presidente que, aos poucos, sumia num céu escuro.
Uma vez que a prisão de Lula não deu à imprensa o espetáculo esperado, tendo ele se projetado como sujeito histórico de muita relevância, as edições da semana de 09/04 a 16/04 cumprem o papel de criar para os espectadores o sentimento de uma “virada de página” — está em curso um novo momento na história do Brasil, sem Lula, sem o PT.
Simbolicamente, a imagem do avião cumpre essa função — uma parte da história se encerra para dar lugar a um recomeço.
Para isso, algumas estratégias, do ponto de vista do discurso, da encenação da notícia, são bem pontuadas, como o silenciamento.
É necessária uma operação para silenciar sentidos potentes advindos do movimento de prisão de Lula, como Lula = ideia.
É preciso conter e silenciar esses sentidos, é fundamental deixar de dizer, é essencial mostrar página virada: por isso, não há qualquer menção a Lula ou aos desdobramentos da prisão nos dias seguintes.
Vejamos as cenas dos próximos capítulos.
Ato 2: Quando a Globo correu atrás de um candidato “de centro”
*Ângela Carrato é jornalista e professora do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
*Eliara Santana, também jornalista, doutoranda em Estudos Linguísticos pela PUC Minas/Capes.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Boulos: TV que interrompeu programação para mostrar patos na Paulista quase não deu cobertura ao Levante das Mulheres


Em 2016, a TV interrompeu jogo de futebol para mostrar os manifestantes de verde e amarelo na Paulista. Ontem, teve até reprises, mas quase não teve cobertura dos atos gigantes do #EleNão. Democratizar a comunicação é enfrentar esse tipo de partidarização da mídia brasileira. Guilherme Boulos, candidato do Psol ao Planalto, no twitter
Boulos: TV que interrompeu programação para mostrar patos na Paulista quase não deu cobertura ao Levante das Mulheres  #elenao


O Levante das Mulheres brasileiras foi organizado numa página do Facebook, com mais de dois milhões de integrantes.
Sem flashes na programação da TV Globo — que em 2016, a título de noticiar, promovia os encontros da “família brasileira” em Copacabana e na avenida Paulista –, elas conseguiram arrastar multidões em dezenas de cidades brasileiras e do mundo (veja um resumo de imagens no vídeo acima).
Foi a reconquista das ruas por uma pauta progressista e multipartidária — em defesa da democracia, contra o feminicídio, o machismo, a misoginia, a violência e a tortura incorporadas à candidatura neofascista de Jair Bolsonaro.
Foi a maior manifestação da história do feminismo brasileiro, com o potencial de influir no resultado do primeiro turno das eleições de 2018.
José Roberto de Toledo, na Piauí, notou que um candidato que se organizou nas redes sociais, quase sem tempo na propaganda eleitoral da TV, teve sua resposta no mesmo campo.
De certa forma, ficou enfatizada não só a perda de importância da TV, mas exposta a falsa equivalência que é típica das coberturas supostamente neutras:

O resultado dessa omissão e falta de contextualização é que coisas diferentes são tratadas como iguais. Uma manifestação de dezenas, no máximo centenas de pessoas em um lugar é apresentada da mesma maneira e com a mesma magnitude que dezenas de milhares de mulheres em dúzias de cidades. Na tela da tevê, o ato solitário pró-Bolsonaro em Copacabana foi equivalente à maior manifestação popular capitaneada por mulheres na história do Brasil. Felizmente, a internet provê o que a tevê omite.

DO viomundo

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

ACUSADO DE SEQUESTROS DE CRIANÇAS EM PORTUGAL, BISPO MACEDO DECLARA APOIO A BOLSONARO

DO Noticiário Político Nacional
Jair Bolsonaro, é considerado por muitos o homem certo para governar o Brasil, se diz moralista, é contra o aborto, é anti-corrupção, mas vive rodeado de corruptos, é a favor da família, mas aceitou o apoio vindo de um homem acusado de sequestro de crianças, sim! Pasmem o líder da igreja Universal do Reino de Deus é acusado de chefiar uma rede de sequestro de crianças em Portugal, e permanece investigado pelas autoridades portuguesas, é com esse apoio que segue a candidatura de Jair Bolsonaro.

ACUSADO DE SEQUESTROS DE CRIANÇAS EM PORTUGAL, BISPO MACEDO DECLARA APOIO A BOLSONARO!


Em Dezembro de 2017 foi ao ar na pela TVI de Portugal, uma série de reportagens, batizada como o segredo dos Deuses, onde a família Macedo e a igreja Universal foram formalmente acusadasde sequestros e um esquema de adoções ilegais, conforme noticiado no Brasil pelo Blog GH, a reportagem é assinada por Pedro Oliveira, e pode ser vista clicando aqui , o blog GH contou com a parceria da própria TVI e entrou em detalhes na reportagem: BOMBA DO ANO! IGREJA UNIVERSAL ACUSADA DE TRÁFICO INTERNACIONAL DE CRIANÇAS.

Nosso Blog foi mais a fundo e com a ajuda de Pedro Oliveira traz com exclusividade as 6 primeiras reportagens da TVI, a partir de agora, em outra matéria traremos novos detalhes.

Reportagem 1 os netos de Bispo Macedo são adotados ilegalmente


Reportagem 2:  O Segredo dos Deuses - Crianças portuguesas foram levadas para o estrangeiro através de uma rede de adoções ilegais, que se servia de um lar da Igreja Universal do Reino de Deus. Muitas destas crianças foram adotadas por bispos da IURD. Há casos de meninos escolhidos por fotografias.
  


Reportagem 3 Neste episódio de O Segredo dos Deuses revelamos que a filha de Edir Macedo não pode adotar em Portugal e é a secretária pessoal do bispo que avança para uma guarda e leva os três irmãos para fora do país.


Reportagem 4 O lar que funcionava ilegalmente em Camarate servia para os bispos e pastores da IURD escolherem as crianças que queriam adotar. No caso de Vera, Luís e Fábio, revelamos várias provas da ilegalidade da adoção. A babysitter revela que as crianças eram vítimas de maus-tratos.



Reportagem 5 Neste episódio conhecemos melhor a história de Fábio, que depois se torna Filipe. Alice Andrade adota formalmente Luís e Vera, que, já maiores de idade, regressam à família Macedo, deslumbrados com uma vida de luxo.

Reportagem 6: as vidas dos jovens sequestrados pela IURD


A confissão do crime: A mulher do Bispo Romualdo, que é responsável máximo da IURD em Portugal, confessou as adoções ilegais que a TVI denunciou numa carta de 11 páginas a que a TVI teve acesso.


 
Essa é apenas a ponta do iceberg gerado pela máfia das adoções e os sequestros de crianças promovidos pela universal que agora declara apoio ao candidato “defensor da família”, não que Bolsonaro tenha alguma ligação com o esquema, mas é preciso que o povo brasileiro saiba a verdade sobre a igreja universal e principalmente os fiéis da igreja ou cristãos que declaram apoiar Bolsonaro, é possível um cristão apoiar sequestradores ou aceitar seu apoio?
Boicote já os anunciantes desse lixo que voltaremos a atualizar


CHARLATÃO MODERNIZADO: IGREJA UNIVERSAL CRIA O DÍZIMO ONLINE




Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) agora avança sobre as redes sociais e cria aplicativo para angariar doações de seus fieis através de sua página no Facebook; É o "aval divino" para institucionalizar o pagamento do dízimo via internet; quanto entra? paga imposto? vídeo ensina como doar "com segurança"


PE247 – Com o avanço da tecnologia e, principalmente, das redes sociais, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) agora avança sobre as redes sociais para evangelizar e angariar doações online de seus fiéis. Através da sua página no Facebook, que contém inclusive um vídeo explicativo sobre como proceder para concretizar as doações, a IURD afirma que "Um novo sistema tecnológico de doações faz da Igreja Universal do Reino de Deus uma pioneira nesse quesito". E deve ser mesmo. Nunca a tecnologia esteve tão a serviço da fé e da arrecadação como agora. É o aval divino para institucionalizar o pagamento do dízimo online.
IGREJA UNIVERSAL CRIA O DÍZIMO ONLINE
Afirmando que as doações são realizadas em um ambiente virtual totalmente seguro, os pagamentos, a partir do valor mínimo de R$ 20,00, podem ser feitos através de cartão de crédito ou boleto bancário. Funcionando de forma outros aplicativos da rede social, a IURD possibilita que o contribuinte destine a sua contribuição no formato de dízimo, oferta para a construção do Templo, oferta para evangelização em rádio e televisão, auxiliares do Bispo (Edir) Macedo e voto com Deus".

O passo a passo ensina o processo. O doador escolhe, primeiramente, a forma de pagamento. Depois, menciona o objetivo da doação, ou seja, a pessoa explica como gostaria que o dinheiro fosse aplicado. Por fim, o fiel explicita o valor a ser doado. Apesar da aparente desburocratização do processo, a igreja pede que os fieis apresentem o comprovante de contribuição, sempre que possível, para que seja feita a conferência da transação efetuada.
O vídeo com tais informações foi alvo, em apenas um dia, de 185 compartilhamentos a partir da página da IURD no Facebook. Além disso, 41.790 pessoas já curtiram a página da entidade. Quem não tiver Facebook, também pode doar pelos endereços eletrônicos www.doacao.arcauniversal.com ou pelo www.iurdtv.com. Na página do Bispo Edir Macedo, que também contém as orientações para a doação online, 90 pessoas haviam curtido o vídeo e outras 52 haviam compartilhado o mesmo.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a IURD tem cerca de 1, 873 milhão de adeptos em todo o país, tendo perdido 230 mil de 2000 a 2010. A Igreja foi fundada em 1977 pelo bispo Edir Macedo e conta com templos em quase 200 países pelo mundo afora. Agora, com o uso da rede social, tanto a IURD como o Bispo Macedo farão da tecnologia uma grande aliada para estreitar seu relacionamento com os fieis através das mídias sociais e engordar ainda mais os cofres da Igreja Universal mundo afora. Só que, neste caso, a transação financeira é real e não virtual.